O HOMEM DOS PÉS DE BODE (OU PÉ DE CABRA)

(Luzilândia /Joaquim Pires / Barras / Matias Olímpio / Esperantina / Campo Largo do Piauí/ Altos)

o homem dos pés de bode

Ilustração: Douglas Viana

Em maio de 2012, surgiu na mídia piauiense uma enorme quantidade de notícias de que um homem com pés de bode estaria sendo avistado em algumas cidades do norte do Piauí. A saber: Luzilândia, Joaquim Pires, Esperantina, Matias Olímpio, Barras e Campo Largo do Piauí. Em todos os casos em que se narra o avistamento da aparição, essa, a princípio, aparentaria ser um rapaz bonitão, boa pinta, charmoso e boa gente. Os avistamentos sempre se dariam no período da noite.

Em um dos casos, diz-se que ele teria seduzido uma mulher com quem teria se envolvido sentimentalmente. Certo dia, os dois teriam ido para a cama, ocasião em que, quando o rapaz tirou as botas para “fazer amor”, a moça teria percebido os pés de bode e saído a gritar por socorro.

De outra vez, apareceu em uma seresta na zona rural, sendo que o mesmo pediu o microfone para pedir uma música e, de repente, os pés dele começaram a se transformar de pés humanos em pés de bode. Segundo populares, neste momento, ninguém ficou no local, a transformação do homem fez com que todos fugissem em pânico. Houveram outras aparições, a maioria em festas e bares.

Na mesma época teria aparecido em uma tradicional seresta  num povoado da cidade de Matias Olímpio, conhecido por Barrocão,  onde estava a encantar todas as mulheres e subiu ao palco para dançar a swingueira “KUDURO” transformando-se, em seguida, em um ser diabólico  meio homem meio bode.

Nas cidades de Esperantina  e  Luzilândia teria bebido com algumas mulheres em um bar, pagando a conta com uma nota de cinquenta reais que teria transformado se em uma folha. Logo em seguida, ao correr atrás do homem para falar sobre o dinheiro, os proprietários dos bares alegam que viram o mesmo transformar se em bode.

Em uma tradicional festa em Tabocal Grande, Município de Campo Largo do Piauí , o homem dançou muito KUDURO  e no fim da festa colocou todo mundo pra correr.

Em Luzilândia, chegou-se a divulgar um vídeo em que apareceria o terrível homem dos pés de bode. Depois de um tempo na mídia, a criatura desapareceu dos noticiários. Dizem que ele continua vagando por aí, esperando pelo momento certo de se revelar.

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Foto: Imagens do pé de bode em Luzilândia. Crédito: Luzilândia.com

O que poucos sabem é que a aparição dessa entidade no Piauí parece ser cíclica, de modo que aparece de tempos em tempos. Dois amigos meus, Milton Paiva e Patuta, me alertaram que essa criatura, que estaria aparecendo em 2012 nas cidades supramencionadas, já teria aparecido na cidade de Altos lá pela segunda metade da década de 80. O nome que deram a ele em Altos, na época, contudo, era “Pé de Cabra”.

Naquele tempo, a Som Baile era uma das maiores (senão a maior) casa de festas da cidade. Era frequentada pela juventude da época, que iria ao local para dançar, beber uma cerveja com os amigos e paquerar.

Havia tempos, frequentava o local, praticamente em todas as festas um tipo bonitão. Segundo me contaram “era um cara boa pinta, bem arrumado e perfumado”, que dançava como ninguém, de modo que chamava a atenção de todas as moças, que disputavam entre si para dançar com ele. Algumas das que ele seduzia, foram além da dança.

Um dia, de repente, faltou energia. Em meio a escuridão, sua calça, que brilhava tipo brilhantina (bem estilo anos 80), e tinha um brilho próprio e forte, era a única coisa que se via na escuridão. Era próximo da meia noite e as mulheres piraram. Continuaram a achar ele o máximo com aquela calça. “Um homem desses não pode ser de Altos”, diziam, aos suspiros.

Quando o ponteiro do relógio alcançou a meia noite, alguns minutos depois de ter faltado energia, ouviu-se um barulho diferente que parecia vir do sujeito, que, por isso, atraiu ainda mais atenção. De repente, as pessoas perceberam pés de cabra no sujeito. Já não usava mais a calça. Era peludo da cintura pra baixo.

Uns diziam que aquelas partes de seu corpo pareciam as de um lobisomem, com uma diferença notável: os pés eram cascos de cabra. O tal barulho que as pessoas tinham ouvido eram de seus cascos ainda a dançar. O povo correu desesperado, mas os poucos que ainda olhavam nesse momento viram de repente a coisa dar um giro em torno de si no meio do salão. Foi quando a energia voltou e vrummmmm… a coisa desapareceu ali mesmo.

O mais interessante é que a música que estava tocando antes de faltar energia voltou a tocar do mesmo ponto quando a energia voltou. Era uma música bacana de uma banda da época chamada Technotronic. Uns não quiseram mais voltar ao local, ficaram assombrados. Outros acharam que era algum tipo de brincadeira. O certo é que, tirando alguns que foram embora assustados, a festa continuou e o povo voltou a dançar.

Como se vê, pé de bode (ou pé de cabra), volta e meia dá uma volta no Piauí. Dizem que às vezes ele demora um pouco para aparecer porque estaria a aprender novos passos de dança para impressionar a mulherada. Alguns acham que ele é o capeta. Outros que seria o ser mitológico grego de nome Pã, que segundo a lenda era um sedutor e adorava festas regadas a álcool. Eu mesmo não sei o que é, nem quero saber… espero não dar de cara com o sujeito nunquinha.

FONTES:

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

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