O GRITADOR

(Parnaíba – Piauí; Luzilândia – Piauí; Lagoa de São Francisco – Piauí; Esperantina – Piauí; São Raimundo Nonato – Piauí)

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lustração: Douglas Viana

O GRITADOR DE PARNAÍBA

O litoral piauiense fica ao norte do Piauí. Engloba quatro municípios: Parnaíba, Ilha Grande, Luíz Correia e Cajueiro da Praia. O maior deles é Parnaíba que, em número de habitantes, perde apenas para a capital do Piauí. É um município já bem antigo, de modo que a povoação no local remonta a tempos anteriores à Independência do Brasil.

As pessoas mais velhas de Parnaíba são quem contam a lenda do gritador. Há muitas explicações para a origem dessa assombração que passava as noites gritando nas ruas. A mais popular delas diz que seria uma alma condenada a vagar gritando em eterno sofrimento por ter sido amaldiçoado pelo pai em razão de ter assassinado a um irmão seu. assim teria de vagas pelas ruas gritando em expressão do seu sofrimento. Há quem diga que, em seu suplício, carrega nas costas uma outra assombração, que tem as pernas nos ombros e a cabeça para baixo e, no caminho, passa o tempo inteiro mordendo os pés da entidade que grita, sendo esse o motivo de seus gritos.

Dizem que se algum curioso for olhar quem grita de perto, ele joga aos pés do curioso a entidade que traz nas costas, na tentativa de livrar-se de seu tormento. No entanto, nesse mesmo instante, a terra treme e a alma atormentadora volta às costas da alma atormentada como que por mágica, e a pessoa, vendo que uma não aflige, senão à outra, perde o medo da aparição.

Sua jornada se iniciava com um horrendo grito assustador pras bandas do Portinho. Em seguida, saía vagando correndo em desespero pela cidade com paradas e gritos pelas ruas do Catanduvas, Macacal, Campos, Tucuns e localidade Céu, na Ilha Grande de Santa Isabel, onde encerraria sua penitência diária, e, cansado, joga-se no chão, dando um grito horrendo, antes de desaparecer na escuridão noturna até a noite do dia seguinte, onde reiniciaria sua jornada amaldiçoada, partindo, de novo, do Portinho.

O GRITADOR DE LUZILÂNDIA

Desde o início do século XX, o povo da zona rural de Luzilândia, nos povoados Zareias, Vaca Preta e Pedra Branca, dizem que, de tempos em tempos, se ouve altas horas da noite gritos estrondosos vindo das estradas.

Esses gritos vêm de uma aparição, o gritador, um homem que carrega outro, que o mesmo tinha assassinado, e como penitência carrega-o pelos ombros e de cabeça para baixo seguindo de dois assombrosos cachorros.

Os gritos que se ouvem, é de quando o homem para de caminhar, os cachorros mordem seu calcanhar. O que contam é que o gritador era Caim, levando seu irmão Abel, e que ele levava seu irmão como castigo até o fim dos tempos sem poder parar de caminhar. Até hoje não há notícia de nenhum corajoso que tenha conseguido encarar a assombração de frente, até porque basta escutar os seus gritos pra perder o controle do corpo de tanto medo.

O GRITADOR DE ESPERANTINA

Dizem que no Povoado Limpeza, em Esperantina, quando as pessoas saem pelas estradas e veredas nas horas mortas da noite pode-se dar de cara com o gritador.

Segundo o povo daquela região, essa assombração é uma figura muito esquisita, de quem só se vê a sombra, e, quando a pessoa está frente a frente com o danado, ele abre uma bocarra que vai até perto do chão e dá um grito tão alto que faz tremer toda a terra.

A pessoa, diante disso, cai no chão desmaiada, tremendo de tanto medo. Depois de dar dois gritos, o gritador vai embora.

O GRITADOR DE SÃO RAIMUNDO NONATO

Lá pras bandas de São Raimundo Nonato, na zona rural, também aparece um gritador. Ali, o bicho é mais ou menos da altura de um homem, só que horroroso e todo cabeludo. Quando dá de cara com alguém, só para de gritar quando o galo canta pela primeira vez.

O GRITADOR DE LAGOA DE SÃO FRANCISCO

Em Lagoa de São Francisco, Piauí, se ouvem gritos aterrorizantes entre as comunidades Chã dos Bringel e Mororó, mais precisamente nas margens do Rio dos Matos e do Riachão. Segundo populares da região, haveria também por ali um gritador.

Ao que dizem é a alma de um homicida, que, como punição, tem de carregar em suas costas sua vítima por toda a eternidade. Os que já deram de cara com o bicho, dizem que antes de proferir seus gritos, ele dá um sopro forte de cansaço e, só então, começa a gritar, com gritos cada vez mais fortes.

O povo dali diz que ele anda vagando pela região em cumprimento de sua maldição, de modo que dela só poderá se livrar para alcançar o descanso eterno no dia em que um idiota qualquer responder aos seus gritos com outros gritos, ocasião em que o gritador passará sua maldição para o pobre desavisado.

O povo todo da região já sabe que não deve responder aos gritos do gritador, de modo que ninguém responde aos seus gritos. Na verdade, acreditamos estar prestando um serviço de utilidade pública nesse post, pois vocês, caros leitores, agora já sabem que não se deve responder a tais gritos… Mas se duvidam que seja verdade, é só irem a Lagoa de São Francisco e andarem à noite pela região. Quando ouvirem um grito, respondam e vejam o que acontece! Mas depois não digam que não avisei…

FONTE:

http://www.jornaldaparnaiba.com/2014/02/lendas-e-assombracoes-na-parnaiba.html

LUCIA MARIA. In: Lagoa de São Francisco: Uma história em evolução. Um passeio pela história da cidade de Lagoa de São Francisco – Pi. Piripiri, Piauí: Agência Public Brasil, 2014. p. 125.

MATA, Socorro. O GRITADOR. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/822070491194786/>. Acesso em 14 set. 2017.

QUEIROZ, Áurea. LENDAS DO PIAUÍ.  Teresina: Halley, 2013.

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

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