LENDA DO OLHO D’ÁGUA DO FREI PEDRO

(Alto Longá – Piauí)

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Ilustração: Douglas Viana

Há muito tempo atrás, existiu um Frei Franciscano, de nome Pedro, que viajava pelo mundo operando curas milagrosas nas pessoas, de modo que fazia isso por meio da enorme fé em Deus que ele tinha.
Certo dia, andava ele na região que atualmente faz parte do município de Alto Longá, viajando no lombo de um jumento, com muita sede em razão do sol furioso do Estado do Piauí, quando deparou-se com um olho d’água de onde brotava uma água limpa e cristalina e resolveu aproximar-se dele para matar a sua sede.
Desceu do jumento e ajoelhou-se para beber daquele líquido precioso em tempos que a seca imperava no Estado do Piauí, quando, às margens da nascente, caiu desfalecido e morreu em virtude da sede.
Na região, havia um trecho em que havia areia movediça (onde hoje existe um buritizal). Ali perto, morava um homem que era conhecido como “Zé da Areia Movediça”, chamado assim justo por morar perto desse local. Foi ele quem achou o frei morto, caído na água, e, sem saber o que fazer, correu para pedir ajuda a alguém.

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Ilustração: Douglas Viana

Deus, então, tendo piedade do seu fiel servo caído naquelas águas, lhe concede a oportunidade de viver novamente, tal qual Lázaro, mas, dessa vez, na forma de um belo peixe dourado, de modo que, quando Zé retorna ao local, acompanhado de populares, só encontra no local em que estava mergulhado o corpo do frei um lindo peixe dourado que brilhava sob o sol nas águas cristalinas do olho d’água.
O peixe, contudo, viveria, a partir desse dia, ali, invisível, de modo que só poderia ser visto uma vez a cada século. As pessoas que o virem, segundo dizem, seriam apenas pessoas abençoadas e escolhidas por Deus para tal contemplação, de modo que todos que conseguirem ver tal peixe obterão muitas graças e bençãos em sua vida.
Dizem alguns, que como o Frei tinha um imenso amor pelo seu próximo, todo esse sentimento que havia nele infestou a água, de modo que sempre que um casal de namorados que banham juntos na água e trazem uma pitada de amor verdadeiro em seu coração tendem a se apaixonar por toda a vida, sendo que muitos casamentos felizes e abençoados se originaram ali.
17757139_1854325778161752_9035327653295727882_nAs águas do olho d’água do Frei Pedro, como ficou conhecido o lugar, segundo dizem, seriam capazes de efetuar curas milagrosas, tal como fazia o frei. Por ocasião da transformação, seus poderes teriam sido absorvidos pelo líquido claro e transparente, de modo que dizem que muitos já foram curados ali.
Conta Marcos Luciano Paz, funcionário do Conselho Tutelar de Alto Longá, que tem conhecimento de casos de crianças febris que, ao entrarem na água, obtiveram a cura de imediato, dali saindo completamente saudáveis. Outras curas teriam sido obtidas no olho d’água, que fica próximo da estrada que liga Alto Longá a Coivaras, e que, por conta do Frei que virou peixe, seria chamado de Olho d’água do Frei Pedro.

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Estive no olho d’água do Frei Pedro em janeiro de 2019. Próximo ao corpo d’água há uma cruz onde as pessoas que vão ao local em busca de graças milagrosas muitas vezes acendem velas e depositam ex-votos, em agradecimento. Pude constatar ainda a enorme frequência de pessoas ao lugar, que, segundo dizem, é protegido pelo peixe encantado, que pune quem degrada o meio ambiente do olho d’água, atuando como protetor das águas e dos animais que frequentam a região.

Perto das águas existe ainda uma cruz, indicando que ali um servo do Senhor deixou a existência humana e se tornou um encantado das águas, passando a operar milagres. Em agradecimento, os agraciados pelo Frei encantado muitas vezes acendem velas e depositam ex-votos nas proximidades do olho d’água e da cruz.

Adeptos de religiões africanas dizem que o local também é frequentado por suas divindades, sendo notório e bastante conhecido a prática de rituais em homenagem a Oxum, orixá considerada rainha das águas doces e protetora dos rios e cachoeiras.

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FONTE;
– relato oral de Marcos Luciano Paz.
– QUEIROZ, Áurea. Lendas do Piauí. Teresina: Halley, 2013.

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

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