MISTÉRIOS NA SERRA DO BENJAMIN

(Coivaras – Piauí)
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A localidade Benjamin fica próxima da PI que liga Coivaras a Altos. É uma localidade rural situada no município de Coivaras. Um excelente ponto de referência para localizar referida povoação é a serra do Benjamin, também conhecida como Serra dos Macacos ou Morro do Canto Redondo. É por ali por perto que fica o Benjamin, que tem ois setores: o Benjamin velho e o Benjamin novo.
A primeira vez que ouvi falar de fenômenos sobrenaturais na região do Benjamin já faz quase dois anos: Milton Paiva contou-me que naquela região, próximo de dita serra, vaqueiros antigos diziam ver luzes que os seguiam e partiam rumo ao morro.
Desde então, sempre tive um pouco de curiosidade sobre o lugar, e volta e meia ouvia falarem de lá, mas as informações eram esparsas e imprecisas. Algum tempo atrás, passando por lá por acaso, dei de cara com o amigo Gilberto Damasceno Paiva, que me perguntou que dia eu iria escrever um texto nos Causos Assustadores do Piauí sobre as luzes do Benjamin. No dia eu estava apressado, de modo que lhe disse que ainda faríamos um texto sobre o lugar, mas naquele dia eu não poderia. Desde então, aporrinhei o Gilberto para que me informasse melhor sobre tais luzes, de modo que ele apenas confessou-me que certa vez teria visto tais luzes, e que me contaria melhor os detalhes depois. Tal informação, contudo, nunca me veio. Cansado de esperar, uns quinze dias atrás, tentei ir ao local investigar os moradores, mas ninguém quis me dizer nada. Como não me conheciam e não sabiam se eu era quem dizia ser, tiveram medo de mim. Dado a realidade atual, não os culpo. Vi que a missão não seria fácil! Senti que só obteria êxito em conseguir tais informações se estivesse acompanhado de alguém conhecido dos populares da região.
Já pensava em abandonar a pesquisa dos mistérios que cercam o local quando alguns dias atrás o Gilberto Damasceno voltou a entrar em contato comigo me convidando a encontrar com ele no local. Ficara sabendo que eu tinha ido até lá e se oferecia a me acompanhar em minha jornada. Assim, marcamos de nos encontrar na tarde do domingo, dia 21 de maio de 2017.
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Na foto: Seu Francisco (residente na localidade Buriti Grande), Carlos Marron, eu, Gilberto Damasceno e Marcos (residente na localidade Benjamin, bem de frente à serra)
No dia e horário combinado, dirigi-me ao lugar, e, para minha surpresa, encontrei lá, além do Gilberto, alguns outros colegas deste, entre eles um velho conhecido nosso: Carlos Marron. Tinham eles acabado de chegar ali, vindos de um evento em Coivaras.
Lá chegando, o primeiro relato que ouvi foi o do próprio Gilberto, que contou-me que no ano de 2009 vinha tarde da noite, acompanhado do amigo e colega professor de nome Valdinar, quando, nas proximidades da cerâmica que fica na Localidade Alto Bonito, perceberam, em meio à estrada, com uns dez metros de distância, uma das luzes que o povo fala que aparecem por ali. Contudo, quanto mais seguiam em frente acelerando a moto, mais a luz flutuava pela pista à sua frente, de modo que mantinham sempre dela a mesma distância, por mais que acelerassem a motocicleta em que estavam. Por longo tempo ficou a luz flutuando à sua frente, até que, chegando à serra do Benjamin, a luz abandonou a pista e partiu rumo ao morro, parecendo pousar em seu topo. Contou-me que tanto ele quanto Valdinar observaram atônitos o fenômeno, que alega ter presenciado por mais duas vezes, exatamente nas mesmas circunstâncias, com o único diferencial de que nas outras vezes viajava sozinho. Informou-me ainda que, apesar de ter visto aquilo não consegue explicar o que define como uma bola de luz, mas acredita que seria um fenômeno ufológico, ou seja, para ele alienígenas visitariam o local. Diz que apesar de ter visto aquilo naquele local deserto àquela hora da noite, nunca sentiu medo diante das visões. Tudo o que sentia era curiosidade sobre o que seria aquilo.
Em seguida, Carlos Marron narrou-me que um dia, em 2015, vinha de Altos rumo ao Benjamin com esposa e filhos quando, durante o trajeto, um de seus filhos, de nome Álvaro, teria visto algumas pequenas luzes ao pé da serra. Apesar de o menino, então com 09 anos, ter apontado as luzes que jurava ver para a mãe e para o irmão, estes não conseguiam ver o que o menino dizia que via. Marron contou-me que só veio a entender o que se passava quando chegando ao destino, ou seja, na casa de sua sogra naquela localidade, onde estava havendo um aniversário, perguntou o que houvera e os demais membros de sua família lhe contaram o que tinha acontecido. Confessou-me ele que não viu nada e que sua esposa e seu outro filho nada teriam visto também, mas o filho que dizia ter visto parecia falar com convicção e sinceridade sobre o que tinha ocorrido quando passavam ao pé da serra.
Marcos, residente na localidade Benjamin, tem visão privilegiada da serra a partir da área à frente de sua casa. Contou-me ele que, à noite, em períodos quentes e sem chuva, é possível ver referida luz eventualmente. Ele disse que às vezes vê ela pequenininha lá no alto da serra, mas que depois ela começa a crescer, de modo que a vê ali na serra com circunferência aproximada à que enxergamos a lua no céu. Sua esposa, Márcia, confirma a informação do marido, e chegou a contar que a última vez em que viram foi poucos dias antes de minha visita ao local, coisa de uns quinze dias antes, quando teriam visto a pequena luz cintilando lá na serra e depois pareceu-lhe que ela vinha em sua direção, de modo que ela aumentava cada vez mais, até que em certo ponto parou e retornou ao alto da serra. Dona Márcia falou-me ainda que o povo da região acredita que as luzes que aparecem na verdade seriam espíritos tentando indicar o local de um tesouro escondido.
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Na foto, eu (ao centro), ladeado por Dona Francisca e Dona Cesarina, filha e mãe respectivamente, duas gerações de mulheres de uma família residente há muito na Localidade Benjamin, zona rural de Coivaras – Piauí
Dali fomos à casa onde residem de dona Francisca e dona Cesarina, residentes também no Benjamin, um pouco mais à frente da casa de Marcos, de modo que ficam já um pouco mais longe da Serra e da pista que liga Altos a Coivaras. Lá chegando, me apresentaram as duas senhoras, que são mãe e filha, de modo que passei a indagá-las sobre a aparição de tais luzes. Dona Cesarina, mãe de Francisca, contou-me que antigamente sempre viam a luz na região, mas que agora estava mais difícil de vê-la. Segundo ela, o povo da região dizia que o que aparecia era um “aparelho” que se pegasse a pessoa, levaria embora dali pra sempre. Mas contou-me também que alguns diziam também que poderia ser espíritos indicando o local de um tesouro enterrado. Segundo ela, a luz sempre passava no céu no rumo da serra.
Francisca, filha de Cesarina, contou-me que um dia, coisa de uns quinze anos atrás (ou um pouco mais que isso), saiu do Benjamin por volta das três horas da manhã, acompanhada da filha adolescente Celiene pra ir à feira em Altos, quando, caminhando de pé em meio ao mato rumo ao caminhão que as levaria à feira, viram passar voando no céu referida luz a baixa altitude (mais baixo que a copa da maioria das árvores). Nesse momento, saltaram em meio ao mato, de onde, escondidas na escuridão, viram a luz passar no céu rumo à serra, rumo que ela sempre seguia ao que dizia o povo. A veracidade de tal informação me foi confirmada por Celiane, filha de Francisca e neta de Cesarina. Hoje mulher feita, ela confirma ter visto a luz em companhia da mãe quando jovem.
Além do avistamento de luzes, outros eventos estranhos acontecem na região da Serra do Benjamin. Foi ainda na casa de Marcos que conheci seu Francisco, residente na localidade Buriti Grande, que narrou-me ser comum a aparição de uma galinha preta que na madrugada atravessava, nas proximidades de referida serra, a pista que liga Altos a Coivaras em alta velocidade, em frente a veículos, desaparecendo misteriosamente antes mesmo de concluir a travessia. Disse-me, inclusive, que alguns acidentes já teriam ocorrido por ali em virtude do susto da aparição súbita de referida entidade, o que já teria se dado por algumas vezes.
Nesse momento, lembrei-me de um relato que Milton Paiva me contou alguns meses atrás (já mais de ano depois do dia em que teria me falado a primeira vez sobre as luzes que apareceriam ali): um dia, à noite, vinha ele fazendo o costumeiro ciclismo com um grupo de ciclistas da cidade de Altos. Na pedalada, dois grupos surgiram. Um foi muito à frente. Ele, que vinha no grupo que ficou pra trás, saiu em disparada para encontrar o grupo avançado. Ia no escuro, pedalando forte. Avistando as sinaleiras das bicicletas dos ciclistas à sua frente longe, já na serra, pedalou forte, na subida, para alcançá-lo. Quando, cansado, finalmente consegue alcançar o grupo, as pessoas vendo que chegara sozinho, perguntam quem vinha com ele mais atrás. Ao dizer que vinha só, as pessoas se mostraram céticas e descrentes. Não acreditavam que vinha só, pois ouviram claramente um diálogo entre Milton e outras pessoas, de modo que diziam que tinham certeza que vinha mais gente com ele. Todos diziam ter ouvido vozes sussurando, mas Milton disse a eles que vinha só e que não ouviu ninguém. A esse episódio sinistro, Milton denominou “as vozes do Benajmin” e disse que nunca mais pedala sozinho por ali.
Depois de coletar todas as informações, fomos convidados para jantar na casa de Marcos e Márcia, de modo que após encher a barriga, tivemos uma conversa camarada e rimos um pouco. Em seguida, rumei para Altos, acompanhado do amigo Gilberto, que vinha logo atrás de mim, em sua moto. No caminho, ao passar pela serra senti um arrepio por um instante, como se algo nos observasse na escuridão daquela estrada à noite, mas não vi nada. No entanto, pude sentir que  referida região é cercada de magia e encanto, de modo que volta e meia se fala de algo inexplicável que acontece por ali. Sejam assombraçõe, encantados ou alienígenas, o certo é que eu mesmo não tenho coragem de passar por ali sozinho a altas horas da noite. E você, o que me diz, caro leitor?
REFERÊNCIAS:
-Relato oral e escrito (via messenger do facebook) de Milton Paiva;
– Relato oral de Gilberto Damasceno Paiva;
– Relato oral de Carlos Marron;
– Relato oral de Marcos e de sua esposa Márcia, ambos residentes no Benjamin;
– Relato oral de seu Francisco, residente na localidade Buriti Grande;
– Relato oral de Cesarina, Francisca e Celiene, três gerações de mulheres de uma mesma família natural da localidade Benjamin.

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