MARMOTAS NA ESTRADA

(Altos – Piauí)

causo do meu avô
Ilustração: Douglas Viana

Lá pelos anos 60, vinham voltando para Altos, após resolverem umas coisas em Teresina, José Gil Barbosa, Flor Ribeiro e Chico Rosa. Era já um pouco tarde da noite, e, por o céu estar nublado, a escuridão imperava.

Dirigiam os três homens um jipe pela velha estrada de chão que ligava os dois municípios, quando o carro enguiça misteriosamente. José Gil, como nada entendia de mecânica de automóveis, permanece no veículo, enquanto os outros descem e levantam o capô, onde começam a mexer para tentar descobrir qual o defeito.

Enquanto aguardava pelos outros, José Gil percebe três figuras muito estranhas caminhando pela estrada. Eram três mulheres, usando vestidos compridos e véus na cabeça. “O que diacho que três mulheres fazem na estrada essa hora de pé?”, pensou. Quanto mais as figuras se aproximavam, mais estranho Zé Gil achava, o que piorou quando percebeu que as mulheres não tinham pés. Os vestidos flutuavam acima do chão. Sem sequer conseguir falar, viu as mulheres seguirem caminhando pelo lado da estrada até que passaram ao lado do jipe, ignorando o carro e seus ocupantes, continuando o caminho pela estrada até sumirem na escuridão da noite.

Boquiaberto, Zé Gil salta do veículo em direção aos companheiros e pergunta-lhes se teriam visto o estranho trio, ao que respondem que não. Em seguida, de dentro do mato fechado que margeava a estrada, começaram todos a ouvir como se houvesse, àquela hora da noite, dentro do mato fechado, um vaqueiro aboiando uma enorme boiada. O vaqueiro gritando “ê boi!”, enquanto os bois mugiam e havia o som dos chocalhos que os animais costumam carregar ao pescoço.

Mas era impossível haver ali um vaqueiro acompanhando uma boiada. Primeiro porque àquela hora não seria normal, pois já era muito tarde. Segundo porque a mata era fechada demais, tanto que não haveria condições de por ali passar um vaqueiro acompanhando animais.

Um dos homens conta ter ouvido falar na lenda de um vaqueiro que  foi vaquejar na sexta-feira da Semana Santa, e foi castigado, desaparecendo juntamente com os bois e a montaria. Dizem que virou uma assombração que o povo chama de gritador e vive hoje a gritar aboiando, de dia ou de noite. São muitos os que contam já ter ouvido ele aboiando a boiada invisível. 

Assustados, os homens baixam o capô e resolvem tentar fazer o carro pegar. Aquela história podia até não ser verdade, mas quando já se está com medo, não faz bem ouvir ou pensar nessas coisas. O som já está muito próximo. Rodam a chave no contato e pisam na embreagem, mas o carro não liga. O motor só ronca. O barulho parece estar assustadoramente perto, quase chegando aos homens. Tentam uma segunda vez e, dessa vez, o motor pega.

Nesse momento, percebem que o som sumira. Nem sinal de boiada ou de vaqueiro. O condutor acelera e seguem caminho pela estrada, indagando a si mesmos que diabos seria aquilo que lhes sucedera.

No caminho, volta e meia um arrepio percorre a coluna de Zé Gil, o que ocorria sempre que lembrava das estranhas figuras que vira. Finalmente, ao verem as primeiras casas da cidade de Altos, alegram-se e respiram fundo, sentindo-se aliviados. Estavam finalmente em casa, sãos e salvos.

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

REFERÊNCIAS:

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