OS CIGANOS DE ESPERANTINA

(Esperantina – Piauí)

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Ilustração: Douglas Viana

No início do século XX, um bando de ciganos atravessava o Piauí e, por onde passavam, rumando para o Maranhão, praticavam alguns delitos, de modo que causavam terror aos habitantes da região. Cansado das reclamações contra as ações do bando, o então governador Miguel Rosa pôs a polícia em seu encalço.

Quando os ciganos se aproximavam do povoado de Boa Esperança (hoje Esperantina), mais precisamente na localidade Tucuns, os policiais alcançaram-nos e iniciaram uma perseguição ao grupo, alcançando-os mais à frente, onde se inicia uma batalha que teria durado cerca de uma semana, onde os ciganos foram mortos, de modo que o episódio, até hoje, é conhecido naquela cidade como Massacre dos Ciganos.

Pelo que o povo conta, o local do massacre fica onde hoje está erguida a praça Leônidas Melo e a batalha teria sido comandada por coronéis de importantes famílias da região. Ao que dizem, esses ciganos carregavam consigo bastante  ouro, que teria sido apropriado por algumas pessoas da cidade.

O fato, terrível sem sombra de dúvida, inspira hoje a maior parte das lendas que compõem o imaginário popular da cidade de Esperantina.

O CIGANINHO MILAGROSO

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Ilustração: Douglas Viana

Ao que o povo conta, durante a perseguição aos ciganos, na localidade Pequizeiro da Areia, um ciganinho de nome Roldão, com aproximadamente sete anos de idade, caiu do animal em que viajava e ficou para trás. Perdido em meio a confusão, o menino, aterrorizado, sem saber para onde ir, subiu em um pé de jatobá e começou a rezar para que a polícia não o encontrasse, pedindo que Deus o protegesse.

Quando a polícia passava pelo local, percebeu o menino na árvore, e, sem nenhuma piedade, atirou na criança, que caiu jorrando sangue, e, em seguida foi decapitada. Quem o encontrou nesse estado foi o vaqueiro Manoel Quaresma, que o sepultou ali mesmo. Só mais à frente é que os outros ciganos foram massacrados pelas autoridades policiais.

Nos anos que se seguiram ao massacre dos ciganos, contam que uma grande epidemia tomou conta da povoação, levando muitos à morte. As pessoas diziam ser uma maldição que assolava a cidade em virtude do sangue cigano ali derramado. Lembrando do ciganinho que havia morrido inocente, começaram a fazer promessas ao mesmo no intuito de verem-se livres do mal que lhes abatia a saúde.

Tendo os pedidos sido atendidos, teve início, desde então, uma peregrinação ao túmulo do ciganinho milagroso, onde, em agradecimento aos seus milagres, acendem velas, oram por sua alma e depositam ex-votos. A maior movimentação ocorre no dia dos finados, onde os fiéis visitam o santuário do ciganinho para orar e agradecer os pedidos atendidos.

A CIGANA ESPERANÇA

M untitled54Durante o confronto entre a polícia e os ciganos, uma jovem e bela cigana de nome Esperança viu o seu pai ser atingido no tiroteio e, sem contar conversa, correu em seu socorro, tendo sido, nesse momento, mortalmente ferida com um tiro no peito, vindo a falecer junto de seu pai.

Ao que dizem, a jovem teria sido enterrada nas margens do Rio Longá, onde sua alma é vista vez por outra, toda de verde, perseguindo transeuntes que por ali se atrevam a passar em meio a noite.

O CAJADO DE OURO

CAJADO_5cm_Cor_Ouro_22062011_141105_GNem todo o ouro cigano foi encontrado pelo povo da região. Dizem que em meio ao conflito um cajado de ouro pertencente aos ciganos foi enterrado bem onde hoje fica a praça.

Conforme relata o povo, o espírito do cigano a que pertencera o tesouro ainda vaga pela praça em meio à noite, em busca de algum corajoso a que possa indicar onde está enterrado o tesouro, para que, enfim, possa descansar em paz.

No entanto, ninguém até hoje teve coragem de parar para ouvir a alma aflita, mas ao que dizem, quem aceitar o encargo, terá de enfrentar um calango cego, muito rápido e traiçoeiro, que possui uma mordida com veneno fatal. Só após vencer o bicho é que a pessoa poderá ficar com o tesouro, tornando-se, então, muito rica.

O CIGANO QUE VIROU PEIXE

Peixe-Bispo, RondeletDizem ainda que um jovem cigano teria conseguido fugir do cerco da polícia e se escondeu na Cachoeira do Urubu, onde encontrou um colar de pérolas tão belo que logo o levou ao pescoço, entrando em seguida na água para tomar banho.

Mal sabia ele que o colar era encantado, o que fez com que os pés do rapaz ficassem presos ao chão do rio, de onde não conseguiu mais sair. Uma vez ali enraizado, o jovem, conforme contam os habitantes do lugar, iniciou um processo de metamorfose, vindo a se tornar meio peixe, conservando apenas os pés humanos.

Desde então, essa criatura encantada passou a ser vista nas águas da cachoeira em noites de quinta para sexta-feira em que o céu ostente uma lua cheia, sempre com o colar no pescoço.

Para que volte à forma humana, deve surgir um corajoso que quebre o colar. Mas para que isso seja possível, a pessoa não pode olhar para o ser sobrenatural, pois, do contrário, o colar não quebrará por maior que seja a força investida e a pessoa, ao invés de quebrar o encanto, ficará cega.

REFERÊNCIAS

A triste história do massacre de ciganos. JornalEsp. Disponível em: <http://jornalesp.com/doc/6281>. Acesso me 09 de maio de 2017.

MASSACRE dos ciganos em Esperantina-Pi. Chico Museu. Disponível em: <http://www.chicomuseu.com/2011/07/massacre-dos-ciganos-em-esperantina-pi.html>. Acesso em: 09 de junho de 2017.

QUEIROZ, Áurea. LENDAS DO PIAUÍ. Teresina: Maria Áurea Mesquita Queiroz, 2013.

LENDAS Urbanas: Parte I. Esperantina em Pauta. Disponível em: <http://esperantinaempauta.blogspot.com.br/2013/03/lenda-urbanas-parte-i.html>. Acesso em: 09 de Junho de 2017.

ROCHA, Bernardo Augusto. História do Ciganinho Milagroso que completará 100 anos. Disponível em: <http://www.portalesp.com.br/blog/historia-do-ciganinho-milagroso-que-completara-100-anos/>. Acesso em 09 de junho de 2017.

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

Um comentário em “OS CIGANOS DE ESPERANTINA

Adicione o seu

  1. COMO SEMPRE CIGANOS EMPRESA E ROUBAREM SÃO ROUBADOS, TENTAR FAZER ISSO TAMBÉM EM BOM RÉGIS, SANTA CATARINA, EM UM SÓ CIGANO TERMINOU COM A POLÍCIA.
    NOVAMENTE MEUS PARENTE FUGIAM DE UM GRUPO DE CAPTURA DO ESTADO DE SÃO PAULO, LIDERADO POR UM COMANDANTE DO NOME LEOPARDO, MEUS PARENTES FORAM ALCANÇADOS ÀS MARGENS DO RIO TIBAGI, PERTO DE PONTA GROSSA NO PARANÁ. O TIO DO MEU PAI QUE TAMBÉM MORREU NO COMBATE, O TIO DO MEU PAI COM UMA CARABINA 44, LÍQUIDO COM GRUPO QUE ELES PERSEGUIRAM.
    E FICA UM CONSELHO É MELHOR NÃO MEXER COM CIGANO.

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