A VELHA DE UM PEITO SÓ

(Oeiras – Piauí)

velha de um peito só

Oeiras. Século 19. Era ainda a cidade a capital do Piauí. João voltava do carteado já tarde da noite, por volta das três da manhã. Andava pelas ruas desertas da cidade e já se afastava um pouco do centro, penetrando em caminhos de terra em meio aos matagais. A lua cheia brilhava no céu e iluminava todo o cenário da velha capital que se apresentava diante de seus olhos. O homem caminha apressado. A mata, na noite, sempre reserva alguma surpresa e sua casa ainda estava um pouco longe. Temia ele que, àquela hora da madrugada, pudesse dar de cara com alguma onça ou guaxinim que pudesse vir a lhe atacar.

De repente, à sua frente, uma moita começa a remexer. Parecia que ali havia algum animal. João que era caboclo acostumado com a vida na mata já pressentia que alguma fera, ali, se preparava para dar o bote. Puxou da bainha o facão que carregava na cintura e preparou-se para enfrentar o bicho. Qual não foi a sua surpresa quando sobre ele não pulou um bicho, mas uma velha, pelada, que tinha um peito só. Mas não era um peito qualquer. Era um baita de um peitão. A velha saltou sobre o homem com a agilidade de um felino, derrubando-o ao chão e sentando-se sobre ele, dominando-o por completo. O susto foi tão grande que ele até derrubou o facão ao chão, sem que tivesse tempo de reagir à investida dela.

Já sentada sobre ele, a velha, com poucos dentes na boca, dá uma risada sinistra e, puxando a cabeça de João até aquele peitão enorme, como que querendo que ele mamasse naquela teta sobrenatural. assombrado, sem entender os motivos daquela entidade diabólica, João resiste, mas em vão. A velha lhe diz: “Ou mama por gosto, meu filho, ou mama contra vontade”. Realmente não adiantava resistir. A diaba tinha a força de uns dez homens, de modo que João acaba cedendo, quando ela agarra em suas orelhas e as torce como se fosse pano molhado, puxando a cabeça do homem rumo ao peitão dos infernos.

A velha obrigou João a mamar tanto que em sua barriga já não cabia mais nada. O homem já não aguentava mais ingerir tanto daquele leite sobrenatural, que não acabava nunca e jorrava em sua garganta com tanta intensidade que lhe fazia espumar pelos cantos da boca. Ele até tentou pedir socorro, mas com um peitão daquele tampando sua boca e tanto leite na cavidade bucal era-lhe impossível. Até porque o leite não parava de jorrar. Foi tanto leite ingerido que João acabou perdendo a consciência. Só despertou com os primeiros raios do sol apontando no céu.

Ao abrir os olhos, viu-se deitado no chão, quase que todo molhado pelo leite diabólico. Não havia nem sinal da velha em lugar nenhum. Se não fosse a barriga tão cheia e as roupas totalmente embebidas daquele líquido, ele poderia jurar que a velha nunca esteve ali. Chegando em casa, contou o ocorrido a alguns conhecidos, que logo lhe relataram que já tinham ouvido falar de outros ataques daquela velha do outro mundo.

A notícia rapidamente se espalhou. Com o tempo, novos ataques da “velha de um peito só”, como chamavam a aparição, foram sendo registrados. Todos com o mesmo “modus operandi”. Até hoje, há quem jure, que ela vaga pelas ruas desertas da madrugada oeirense. Dizem que apesar de vitimar alguém volta e meia na zona urbana da antiga capital, prefere atacar aqueles que se aventuram altas horas da noite nas matas das redondezas de Oeiras, principalmente na região da localidade Tranqueira, onde acontece a maior parte de seus ataques, sendo muitos os homens por ali que dizem já ter mamado em seu peitão.

REFERÊNCIAS:

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

 

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