O ENCANTADO DO SOTURNO

(Localidade Soturno, zona rural de Altos, Piauí)

20067518_314899702267739_550085273_nA professora Maria Irene Nascimento cresceu na região do Soturno, Coités e adjacências. Naquela região rural da cidade de Altos, contam-se muitas histórias assombrosas. Uma delas, teve como personagem principal o pai da professora, que lhe contou um fato extraordinário que sucedera a ele em uma de suas andanças pela região.

Antônio Bezerra, como era conhecido seu pai, tinha o costume de, nas madrugadas de sexta para sábado, dirigir-se com três jegues carregados de farinha e milho para vender os produtos na feira livre de Altos. O povo sempre falava de assombrações que apareciam naquele caminho nas horas mortas da noite: uns diziam que o capeta em pessoa morava por ali em uma casa de cupins, enquanto outros diziam já ter visto o espírito de um homem armado de facão desafiando quem atravessasse seu caminho tarde da noite.

Apesar disso, Bezerra não acreditava nessas histórias e nem tinha medo delas. Uma madrugada, lá pelos idos de 1976, ia ele caminhando pela estrada com seus jumentos quando, de repente, um dos animais arreou a carga. Deitou-se ao chão e não tinha quem fizesse levantar-se o animal. Ficou ali a pensar em uma solução para o problema quando teve uma idéia: usando de seu facão, partiu para cortar uma forquilha. A idéia era fixá-la ao chão para usar uma tora de pau como alavanca para levantar o bicho. De repente, quando ia colocando a escora, surge inesperadamente, saído de lugar nenhum, um homem negro que segura o jegue e ajuda o feirante a levantá-lo.

Após o término do serviço, Antônio Bezerra solta a tora de madeira e se vira para agradecer a ajuda, mas não encontra ninguém. O homem havia sumido como em um passe de mágica. Assustado, na certeza de que havia encontrado uma alma do outro mundo, o homem monta no animal e apressa o passo até a cidade, sempre mordendo a lâmina de seu facão ao longo do caminho, para se livrar do medo que o atingia. Os animais corriam como que fugindo de algo e se mantiveram assim até que chegaram na velha estação de trem de Altos, no bairro Batalhão. Desse dia em diante, ele nunca mais foi sozinho à feira.

REFERÊNCIAS: Informações prestadas por Maria Irene Nascimento e Carlos Dias

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

 

 

 

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