ASSOMBRAÇÕES DA UESPI DE ALTOS

(Altos – Piauí)

uespi altos

A sede da Universidade Estadual do Piauí em Altos, campus Roberto Raulino, foi inaugurado em 07 de maio de 2001, período em que Mão Santa governava o Piauí, pelo reitor Jônatas de Barros Nunes, em parceria com as prefeituras municipais de Altos, Beneditinos, Alto Longá, Coivaras e Novo Santo Antonio. Ali funcionaram cursos de Biologia, Normal Superior, Pedagogia, Matemática, Português, dando formação de nível superior a diversos alunos deste e de outros municípios vizinhos, até que o pólo foi desativado pelo governador Wellington Dias, que o transformou em Universidade  Aberta, com cursos on-line dos quais o primeiro vestibular será ainda em 2017.

O prédio em que se encontra o campus foi anteriormente uma maternidade, tendo sido adaptado para o funcionamento do campus universitário. A velha maternidade Ana Raulino, foi fundada em 1973 por iniciativa do deputado estadual Roberto Couto Raulino, filho de Altos, que conseguiu a mesma para a terra de seus ancestrais, tendo a mesma funcionado em Altos até os primeiros anos dos anos 1980.

Na época, Altos não possuía ainda um hospital. Além da maternidade, havia o Posto de Saúde São José, que ficava onde hoje funciona o fórum da cidade. Assim, pela carência de serviços públicos de saúde, no mais das vezes os altoenses procuravam medicar-se na capital do Piauí. Todavia, em casos graves, em que se faziam necessários ao menos primeiros socorros urgentes, muitas vezes eram encaminhados para para a Maternidade.

Assim, ali muitas vezes vieram a óbito, não apenas mulheres em trabalho de parto, ou crianças em processo de nascimento ou recém-nascidas, mas também feridos, acidentados e doentes que muitas vezes iam procurar auxílio médico no lugar.

Quando a velha maternidade cessou suas atividades no início dos anos 1980, o prédio foi abandonado e depredado, de modo que parecia ter sido abandonado há décadas, pois tinha uma aparência não apenas decadente, mas também bem assustadora. Pelos basculhantes quem passava ao seu lado na calçada à noite, só enxergava lá dentro a escuridão e o que se dizia nas ruas é que o lugar era assombrado. Eu mesmo, ainda criança, muitas vezes ouvi falarem isso, de modo que a molecada da rua evitava até mesmo passar muito perto de lá.

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Ao transformarem o prédio em um campus da UESPI, o lugar encheu de vida novamente e passou a ser frequentado diariamente por inúmeras pessoas. Já nem se ouvia mais falar em assombração por ali. Mas o que o leitor deve saber é que não é porque ele não ouviu falar em algo, que essa coisa deixou de existir ou acontecer. Eu mesmo às vezes esqueço dessa lição. Qual não foi minha surpresa ao descobrir recentemente que mesmo após o funcionamento da universidade as assombrações persistiram?

Bom, alguns anos atrás uma das servidoras do lugar [que não me autorizou revelar o nome] encontrava-se no interior da UESPI. Até mesmo o vigia estava sentado à porta do prédio em uma pracinha que há por ali. Era tarde e ela já se preparava para ir embora quando ouviu sons que lhe fizeram crer que uma intensa chuva com ruidosos trovões havia começado. Até aí nada fora do normal. De repente, vindos de uma sala de aula, sons de cadeiras sendo arrastadas. A mulher imagina que pode ser o vigia. O único que ainda estava por ali àquela hora. Chama por ele, mas ninguém responde. Caminha até a sala, e, ainda no corredor, os barulhos param. Ao adentrar a sala, contudo, não vê ninguém por ali. Assustada, pensa que talvez seja melhor sair dali. Mal retorna ao corredor, a barulheira de cadeiras sendo arrastadas reinicia e passam a ser audíveis choros, muitos sons de choros de crianças pequenas, fazendo com que a moça, assustada de verdade, saia dali correndo. Ao chegar ao lado de fora do prédio da UESPI, a funcionária percebe que não estava chovendo, e vê o vigia tranquilo, sentado em uma cadeira à porta do prédio, olhando para a rua. Nitidamente apavorada, ela conta a ele o ocorrido, ao que ele lhe responde que também já haveria presenciado algumas coisas estranhas por ali.

20120755_1891319914439317_719031436_nFoi essa ex-funcionária da UESPI, dos tempos de aula presencial, quem me disse onde encontrar o tal vigia. Assim, no sábado (15 de Julho), fui à casa do seu Zé Maria Vieira, o tal vigia, onde conversei com ele e com sua esposa, dona Francisca das Chagas. Ele me contou que uma vez dormia em um colchão que colocava à noite nos corredores  da UESPI, quando, de repente, viu um pequeno globo de luz flutuando pelos corredores. Parecia que ele tinha vindo da parte externa do prédio e passou para os fundos do prédio, seguindo pelo corredor que leva à região em que fica o bebedouro. Vendo aquela aparição, o homem vendo-se em um corredor sem saída, logo decidiu seguir seu instinto que lhe mandava sair dali e procurar um canto que tivesse espaços para onde pudesse correr. Dirigiu-se a parte externa do prédio, mas ainda teve tempo de ver a luzinha voltando e se dirigindo ao lugar em que estava anteriormente deitado em um colchão, e, de lá, não retornou mais. Naquela noite, o homem não entrou mais no prédio, e nem viu mais a tal luz.

A sua esposa disse-me que às vezes ia para o lugar fazer companhia ao esposo ao longo da noite, e também confessou ter visto algumas aparições sobrenaturais. Contaram-me eles que uma vez estavam por lá e ouviram uns barulhos que pareciam muitos sons de passos de pessoas. E vinham em sua direção. De repente, uma porta um pouco à frente deles se abre e, após algum tempo, fecha, sem que houvesse qualquer vento por ali. Era como se alguém houvesse aberto a porta para a passagem de uma ou mais pessoas e depois houvesse fechado. Contaram-me ainda que uma noite estavam por lá com um dos filhos do casal, ainda criança, e pediram ao menino que fosse ao bebedouro buscar água em um garrafa para eles. Com pouco tempo, o menino voltou de lá em disparada dizendo que teria visto ali uma mulher muito estranha vestida com um avental branco (aquelas roupas que as mulheres vestem nas maternidades). O menino teria ficado muito assustado e estava branco de medo. Os pais ainda teriam ido ao lugar, mas não encontraram nada, e com certeza não poderiam, pois àquela hora não havia ninguém ali. Ao menos, ninguém deste mundo carnal.

20120920_1891319894439319_1132824807_nSeu Zé Maria contou-me ainda que um outro vigilante, contemporâneo seu, também teria visto aparições por ali, e, por isso, teria se demitido do serviço e dito que não iria trabalhar em um lugar assombrado. O que se conta é que esse outro vigia teria presenciado a descarga do banheiro sendo acionada sozinha e sons de máquina de datilografia vindos da secretaria por algumas vezes, até que um dia teria dado de cara com uma mulher vagando nos corredores.

Francisco Isaias, pedagogo e contista altoense, confirma a verossimilhança da história do vigia, informando que quando estudou por lá, em uma conversa com o vigilante, teria ouvido dele o fato de que globos de luz andariam zanzando pelos corredores da UESPI.

Paulo Rocha, professor e escritor altoense, declarou-me que quando estudava o segundo bloco de pedagogia na UESPI, na primeira sala à direita de quem entra no prédio, a porta da sala de aula, do nada, sem qualquer vento, abriu-se sozinha e, do mesmo modo, após algum tempo, se fechou. Disse ainda que nessa época, volta e meia, os alunos tinham a impressão de ver vultos passando pelas janelas, e, ainda, algumas raras vezes puderam sentir um forte cheiro que parecia-lhes ser de sangue.

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Mauriceia Abreu, uma ex-aluna, contou-me que, certa vez, uma professora que dizem ser médium,  interrompeu a aula e começou a se comportar de forma estranha pedindo doces, mas precisamente piriluto. Os alunos teriam estranhado bastante o comportamento. Depois saíram comentários de que ela era uma médium muito sensível e que teria “recebido” o espírito de uma criança.

Já Daniel Clemente, um outro que estudou lá, diz que o banheiro ficava no fim do corredor e as luzes do referido corredor sempre apagavam quando alguém ia ao local, e, disse ainda, que muitas vezes as portas batiam do nada.

O que o governo alega é que o motivo do fechamento do campus da UESPI algum tempo atrás, com o fim das aulas presenciais, teria sido em razão do campus não possuir, à época, a estrutura exigida pelo MEC, mas adeptos de teorias conspiracionistas (?) acreditam que isso tenha ocorrido em razão dos constantes fenômenos espirituais. Dizem que durante todo esse tempo em que esteve fechada, fizeram correntes de orações, benzimentos e sessões de descarrego no prédio, e, ao que parece, as atividades paranormais teriam cessado.

Este ano, depois de muito tempo, finalmente o prédio parece que vai voltar a funcionar, dessa vez como Universidade Aberta vinculada à UESPI, por meio da modalidade Ensino a Distância, o que deve ocorrer ainda em 2017. As autoridades alegam que essa história do lugar ser assombrado é balela, fruto da superstição popular, e dizem que não há qualquer perigo em estudar por ali. Bom, isso iremos descobrir quando os estudantes do novo curso de Administração que iniciará em breve iniciarem os estudos no lugar. Só eles poderão nos dizer se ainda existem espíritos vagando por ali.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • DIAS, Carlos Alberto. Câmara Municipal de Altos: Memória Histórica. 2. ed. rev. e ampl. Câmara Municipal: Altos, 2004.
  • Relato oral de José Maria Vieira (ex-vigia da UESPI de Altos) e de sua esposa Francisca das Chagas.
  • Relato oral de Carlos Marron, repórter de O JORNAL e Acadêmico da Academia Altoense de Letras e Línguas Nativas.
  • Relato escrito de Paulo Rocha, professor, escritor e Acadêmico da Academia Altoense de Letras e Línguas Nativas.
  • Relato oral de Francisco Isaias, professor e contista altoense.
  • Relato escrito de Mauriceia Abreu (via facebook)
  • Relato oral de Daniel Clemente (via facebook)
  • BARBOSA TERCEIRO, José Gil. HISTÓRIA DA CIDADE DE ALTOS. Disponível em: <http://altoshomepage.xpg.uol.com.br/HISTORIA.htm>. Acesso em 16 de Julho de 2017.
  • RODRIGUES, Toni. Altos, Passado e Presente. Altos: 1992.
  •  CAZUZA, Chiquinho. Jornal O Altoense.

TEXTO E FOTOS: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

PRIMEIRA IMAGEM: GOOGLE MAPS

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