ROSNADOS NA MADRUGADA (OU: “MÃE, VEM VER O FILME COMIGO?”)

(Altos – Piauí)

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Sempre gostei muito de assistir filmes. Sou do tempo das locadoras, em que se alugava um filme em VHS pra ver em casa no aparelho de videocassete. Não perdia um lançamento. Sou fã de todos os gêneros. Ação, terror, policial, comédia, suspense, infantil, drama, histórico, biográfico, documentários… amo a sétima arte!

Lembro de uma ocasião, em minha adolescência, em que eu estava assistindo, de madrugada, um filme. O filme era “Seven: Os sete pecados capitais” com Brad Pitt e Morgan Freeman, que narra a história de dois policiais que passam o filme tentando capturar um serial killer que mata pessoas que desobedecem os pecados capitais: ira, gula, luxúria, avareza, inveja, preguiça e orgulho ou vaidade. Cada vítima era um exemplo de cometimento exarcebado de cada um desses pecados.

É um filme muito bom que recomendo a qualquer um. À época, da história, quando o aluguei, era um filme lançamento que deveria ser devolvido em 24 horas sob pena de pagamento de multa. Estava eu lá muito empolgado com o filme, que prende a atenção do espectador como poucos que vi na vida. Assistia-o, então, deitado no sofá da sala de minha casa. Estava vibrando ansioso por desvendar o final do filme. Estava mesmo gostando muito da trama.

Lá pelas tantas, em torno de pouco mais da metade do filme, ouvi um rosnado. “Que diabo foi isso?”, pensei. O barulho parecia ter vindo do local contrário ao qual eu olhava (ou em outras palavras, parecia ter vindo detrás de mim). Sentei-me, dei a volta no sofá, olhei a sala de casa por todo lado e nada. Nenhum sinal de nada que pudesse ter rosnado perto de mim. Por um lado, eu dava graças à Deus, por outro não conseguia me tranquilizar.

Na parte da sala de onde me pareceu ter vindo o rosnado, só havia uma planta em um jarro (minha mãe sempre gostou de plantas decorativas). Nesse momento eu só pensei em correr. Mas e o filme? Tava tão bom… E eu tinha que devolver no outro dia de manhã? Um arrepio me corre pela coluna e não pensei duas vezes, corri e bati na porta do quarto onde dormiam meus pais.

Minha mãe abriu a porta. “Que foi menino? Porque você não vai dormir”? Então respondi: “Ai, mãe. É que eu tava ali fora na sala vendo um filme e ouvi um rosnado atrás de mim”. Nisso ela disse: “Deve ter sido um cachorro” e eu respondi: “mas aqui em casa não tem cachorro”. Ela tentou me convencer que algum cachorro vadio podia ter entrado no terreno de casa aproveitando-se de algum momento em que o portão da frente tivesse ficado aberto. Meu cérebro não aceitava tal explicação como razoável, pois eu tinha certeza que o som fora emitido no interior da sala de casa, por trás de mim. Era alto e nítido.

E ela perguntou: “Tá com medo, né? Pois se quiser pode dormir aqui com a gente”. E eu disse: “Ai mãe, é que o filme tava tão bom e eu tenho que devolver amanhã… Eu tenho que ver o final daquele filme”. E pedi: “Mãe, a senhora vai lá fora terminar de assistir o filme comigo”? E ela: “nãããm… eu tenho que dormir, pois amanhã trabalho cedo!” E eu: “é que o filme tá tão bom”! Aí fiz aquela cara de cachorro sem dono e lá foi minha mãe, minha heroína, ver o fim do filme comigo (essa é apenas uma das que minha mãe, Lucia Maria, teve que aguentar de mim).

Ao fim do filme, passei a considerá-lo, como o considero até hoje, um dos melhores que já vi. Inesquecível. Guardei a fita VHS na capa para devolvê-la na locadora em Teresina no outro dia, e fui dormir (no quarto dos meus pais, claro). No outro dia, ao levantarmos, de fato não havia nenhum sinal de cachorro do lado de fora da casa. E até hoje não sei o que foi aquele rosnado que ouvi alto e claro dentro de casa.

Não, não foi no filme também. Não havia nenhum bicho em cena. Mas quer saber duma coisa? Eu nem quero saber. Só quero nunca mais ouvir de novo… E só peço que seja lá o que for, que vá rosnar do inferno pruma banda e me deixe ver meus filmes em paz. O que sei é que se tem um filme o qual jamais vou esquecer as circunstâncias em que o assisti, esse filme é “Seven”!

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TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

IMAGEM: PÔSTER DO FILME SEVEN, DE DAVID FINCHER, COM BRAD PITT E MORGAN FREEMAN

TRAILER DO FILME SEVEN

 

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