A VOZ QUE CEGOU TOTONHO

(Nossa Senhora dos Remédios – Piauí)

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Essa história aconteceu há muitos anos atrás no povoado peixe, atual município de Nossa Senhora dos Remédios. Na época, vivia por lá um rapazote chamado Antonio Araújo, que todos chamavam de Totonho, então com seus 18 anos.

Como a maioria dos rapazes do povoado na época, ele tinha o costume de caçar nas redondezas rurais do lugar em que morava. Em uma dessas caçadas, já à tardinha, quando estava deitado em umas palhas de nambus, ouviu uma voz estranha lhe falar: “Totonho, queres ficar cego ou louco?”

O rapaz levou um susto, mas depois pensou que fosse um de seus amigos escondido na mata e brincando com ele. Algum tempo depois, de novo a assustadora voz a repetir a mesma indagação: “Totonho, queres ficar cego ou louco?”, mas novamente não havia qualquer sinal de gente ali perto. 

Nesse momento, o jovem levantou as mãos para o céu, se ajoelhou e disse: “Meu Deus, antes cego que louco”, tendo pensado em sua mente: “ser louco, é ser cego duas vezes”.
Ao chegar em casa parecia triste e pensativo. As pessoas de sua família ficaram a se perguntar o que havia acontecido. Será que Totonho estava doente? Não saía do fundo da rede, onde ficava todo o tempo calado a refletir.

O tempo passou e, um dia, por volta das cinco horas da manhã, o rapaz acordou ao sentir alguém batendo no punho de sua rede. Arrepiou-se ao ouvir novamente a voz horrorizante: “Totonho, levanta, que estás cego”.

A partir daí começou a sentir intensa dor nos olhos. Levantou-se e, devagar, caminhou até a varanda, olhou para o pátio e, apesar de o sol já estar raiando, viu tudo escuro, preto como se fosse noite. O que a voz havia dito era verdade: Totonho estava cego!

Nos dias que se seguiram, procurou consultar médicos, o que se revelou inútil, de modo que o moço teve que se adaptar à sua nova realidade, tentando viver o melhor que podia naquele estado, levou uma vida tão normal quanto possível.

Casou-se, mas sua esposa morreu ao dar à luz ao quarto filho. Viúvo, casou-se novamente, tendo nesta segunda união mais sete filhos. Apesar de tudo, mostrou-se, ao longo de sua vida, um homem de grande fé em Deus e em Nossa Senhora dos Remédios, de modo que, como Jó, não teve a fé abalada.

Aparentava, sempre, ser uma pessoa feliz, que não se deixou abalar pela tragédia que lhe sucedera, tendo morrido aos 87 anos. Seus descendentes vivem até hoje em Nossa Senhora dos Remédios, sendo todos pessoas de bem.

FONTE:

VASCONCELOS. Daise Castelo Branco Rocha. Uma história verdadeira com gosto de lenda. In: Revista da Academia de Letras do Vale do Longá. Ano XVIII. N° 03. Dezembro de 1993. p. 29-30.

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

Ilustração: Douglas Viana

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