OS CORPOS SECOS DO EXUL

(Batalha – Piauí)

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Exul é uma propriedade rural situada em Batalha, há poucos quilômetros da zona urbana da cidade. Ali, em um lugar escuro cheio de árvores frondosas, existe um olho d’água de onde a água cristalina brota do chão e corre sobre as pedras escuras e brilhosas. Volta e meia populares vão até ali para apanhar água, tomar banho ou lavar roupa. O povo da região batizou o nascedouro de água de “Olho d’água do Exul”.

Muitas das pessoas que visitam o lugar dão notícia de que por ali volta e meia, aparecem dois corpos secos caminhando por sobre as pedras. Suas aparições se dão sempre por volta do amanhecer ou do fim da tarde.

Dizem que a origem das criaturas remonta ao início do século XIX, quando em um dia chuvoso de inverno, um casal de fazendeiros residente na localidade Betânia, em Batalha, saiu para ir à cidade em busca de mantimentos. A chuva, muito forte, logo transformou a estrada em lama. O casal teria atolado e foi abatido pela chuva, que estava muito forte e fez submergir seus corpos em meio ao lamaçal. Ao final do inverno, a lama secou e os corpos emergiram, ficando a vagar pela região.

Ao que o povo fala, as pessoas que viram corpo seco é porque, em vida, foram gente muito ruim. Assim, ao que dizem, o tal casal se transformou em criaturas malditas devido ao fato de que, em vida, viviam em desarmonia, um querendo ser mais que o outro, orgulhosos e rancorosos a tal ponto que viviam maltratando gratuitamente seus escravos e agregados.

No mês de agosto subsequente, os moradores da região iniciaram queimadas para lavrar a terra e, fugindo do fogo e da fumaça, os corpos secos saíram voando em busca de um lugar agradável onde pudessem repousar, tendo se fixado na mata próxima ao olho d’água do Exul, por onde vagam desde então.

Segundo relatos, o homem tem os dentes todos de ouro; já a mulher teria os braços cheios de pulseiras, os dedos com muitos anéis e o pescoço coberto de colares. Todas as jóias são cravadas de pedras preciosas.

Ao que dizem eles ainda vagam por ali. Muitos não os vêem porque possuem a capacidade de se disfarçar de troncos secos de árvores em meio à mata, mas volta e meia alguém dá notícia de que foi perseguido pelos corpos secos do Exul.

REFERÊNCIAS

SANTANA, R. N. Monteiro de. Piauí: Formação – Desenvolvimento – Perspectivas. Teresina: Halley, 1995.

Texto: José Gil Barbosa Terceiro

Ilustração: Douglas Viana

 

 

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