MULHERES QUE VIRAVAM PORCA

(Esperantina / São Raimundo Nonato / São João do Arraial / Altos)

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No Piauí, as mulheres que viram porca são uma aterrorizante constante nos relatos orais que fazem parte da história de muitas cidades. Aqui no blog mesmo já contamos algumas dessas histórias, a exemplo da lenda de Nurica (na cidade de Altos), da Porca do Dente de Ouro (que aparecia em Teresina e Parnaíba) e do Casal que virava bicho, nas proximidades da localidade Estrela do Norte, que fica na região compreendida entre as cidades piauienses de Altos e Coivaras.

Essas histórias, contudo, são mais comuns do que se pode imaginar. Em todo o Piauí, existem relatos lendários de mulheres  que viram porca em razão de algum pecado que cometeram, de modo que pode-se dizer que mulheres que viram porca são uma espécie de versão feminina da lenda do lobisomem europeu, em que homens viram lobos.

Apresentaremos a seguir alguns relatos assombrosos de aparições de mulheres-porcas no Piauí, todos eles inéditos no blog! Se o caro leitor quiser conhecer melhor as histórias já contadas por aqui é só clicar no link das mesmas no primeiro parágrafo desse texto. As histórias contadas a seguir são retratos fiéis do imaginário popular do povo piauiense em várias cidades piauienses.

AS PORCAS DE ESPERANTINA

Esperantina é uma cidade rica em lendas e folclore popular. Nos anos 60 e 70 falava-se de uma porca do tamanho de um carro que andava assombrando as pessoas pelas ruas. Todos já andavam apavorados até que um dia feriram o bicho em uma das patas. No dia seguinte, um homem apareceu com uma das pernas feridas, bem no lugar onde tinham batido no animal e, a partir, de então, o povo passou a falar que ele era o barrão infernal.

Ainda nos anos da década de 1970, o povo de Esperantina dizia ver todos os meses, no período da lua cheia, nas madrugadas de quinta para sexta, uma porca que surgia embaixo do pé de azeitona que fica na esquina do Hospital Estadual Dr. Julio Hartman usando tamancos e saía pelas ruas toda se rebolando e sapateando pelas ruas, de modo que de longe se ouviam os barulhos dos calçados que usava nas patas inferiores. Ao que contam, de longe exalava um doce perfume feminino no intuito de atrair vítimas do sexo masculino. Ao que dizem, a tal porca era uma mulher muito charmosa que morava na cidade e tinha sido condenada a se transformar em referida monstruosidade por conta de um grave pecado cometido.

Nos anos 1980, moradores da Avenida Petronio Portela, naquela mesma cidade se viam atormentados pela aparição de uma porca gigante que vagava pelas madrugadas roncando e fuçando de forma estrondosa e ensurdecedora que podia ser ouvida por todos ali e sempre desaparecia ao entral em um manguezal ao lado da casa de um conhecido varredor de rua que morava ali. Um dia, policiais e populares resolveram se unir para esperar a porca e quando a bicha apareceu foi um bafafá geral. Ainda cercaram a criatura, mas ela deu uns rugidos, espantando alguns, conseguindo assim fugir ao cerco. A polícia ainda procurou a noite inteira, mas ela havia desaparecido como que por mágica. No dia seguinte, ainda ouviu-se falar que uma porca sobrenatural teria aparecido assombrando os moradores da vizinha Matias Olímpio.

Já na primeira década dos anos 2000, conta-se de uma mulher já idosa que morava em uma casa velha de aspecto assombroso que, depois de certa época, passou a agir de um modo muito estranho: de uma dócil senhora, havia se tornado uma pessoa bruta, ignorante e mal-educada; do caminhar lento típico de sua idade, passou a caminhar de forma firme e rápida. Um dia, andando na rua, soltou um ronco idêntico ao de uma porca. Logo, o povo da região associou a sua figura a uma porca sobrenatural que andava assombrando as noites daquela região e que continuou aparecendo por um bom tempo, perseguindo as pessoas da cidade nas horas mortas da noite, até o dia da morte da tal senhora. Depois que ela morreu, ninguém mais ouviu falar da tal suína endiabrada.

A PORCA DE SÃO RAIMUNDO NONATO

O povo de São Raimundo Nonato conta a história de uma mulher que havia sido condenada a se transformar em porca por conta de uma relação incestuosa que teria mantido com o filho, e, desde então, passou a vagar pelas ruas da cidade, nas noites de quinta para sexta-feira, perseguindo as pessoas que encontrava pela frente. Ao que dizem, ela sempre aparecia por volta da meia noite, de modo que o povo da região passou a chamá-la de PORCA DA MEIA NOITE.

A PORCA DE SÃO JOÃO DO ARRAIAL

A história a seguir é muito semelhante à anterior. Em São João do Arraial, uma mulher foi amaldiçoada também por tomar o filho como amante e, por isso, passou a vagar pelas ruas transformada nas madrugadas das noites de quinta para sexta. A diferença é que essa porca tinha que percorrer sete cidades na mesma noite, sob pena de ficar na forma de porca para sempre. Dizem que para quebrar o encanto de forma definitiva, pondo fim à sua maldição, ela teria que devorar os cérebros de duas crianças que fossem filhos caçulas. Ao que se sabe, contudo ela nunca conseguiu e até hoje vaga transformada, à procura de vítimas, nas madrugadas de quinta para sexta.

A OUTRA PORCA DE ALTOS

Na cidade de Altos é famosa a lenda da porca Nurica, que assombrava a cidade ao lado de seu amante lobisomem nos anos 1970. Mas existiram outras. Exemplo disso nos é contado por Gilberto Damasceno Paiva no conto por ele intitulado de “A MULHER PORCA”, que segundo ele é inspirado em relatos reais. Seu conto narra a história de três pessoas que se dirigiram à garagem da Secretaria Municipal de Transportes em Altos, que fica já na saída da cidade, para embarcar cedo no ônibus da prefeitura que lá pelo final dos anos 1990 e início dos anos 2000, levava trabalhadores e estudantes para Teresina. Pegando o ônibus ainda na garagem poderiam garantir uma poltrona para sentarem durante a viagem. Eram aproximadamente 4h30min da manhã quando deram de cara com uma aparição horrenda: uma criatura metade suína, metade mulher,  com enormes unhas vermelhas e um grosso colar com inscrições fúnebre ao pescoço, que se punha em pé enquanto grunhia forte e assustadoramente, pondo para correr duas das vítimas. A terceira delas, segundo dizem, “entrou em estado de choque mental e até os dias de hoje não fala, não come e nem bebe com as próprias mãos: vegeta mentalmente no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina”. Eu mesmo me lembro dos relatos de aparição da tal porca nessa época, mas até hoje nunca ouvi dizer se alguém descobriu sua identidade.

FONTE:

http://rpf2016.blogspot.com.br/2015/06/esperantina-conheca-historia-da-mulher.html

http://esperantinaempauta.blogspot.com.br/2013/03/lenda-urbanas-parte-i.html

https://www.facebook.com/groups/822070491194786/permalink/1291104947624669/

https://www.facebook.com/groups/822070491194786/permalink/871440796257755/

QUEIROZ, Áurea. Lendas do Piauí. Teresina: Halley, 2013.

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

ILUSTRAÇÃO: Douglas Viana

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