O DIA EM QUE ABRACEI MINHA IRMÃ NO CÉU

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Meus pais, José Gil Junior e Lucia Maria, casaram no ano de 1977. Fixaram residencia, em um primeiro momento, na cidade de Campo Maior. Eu nasci em 31 de Julho de 1979 e, no dia 20 de novembro de 1980, eu ganhei uma irmãzinha mais nova: Jana Gil.

Foi muito bom ganhar uma irmã. Eu tinha agora uma companhia para brincar. No meu primeiro dia de aula, ela ficou em casa chorando para ir à escola também, e, depois de uma conversa de meus pais com a diretoria da escola, no dia seguinte, ela já era também minha colega de classe. Isso começou no jardim de infância e se estendeu até a faculdade, onde estudamos Direito juntos.

Na infância vivemos mil aventuras: brincávamos de esconde-esconde, pega-pega, bandeira, trepávamos em árvores, descíamos morros de bicicleta.  Era minha companheira inseparável.

Na adolescência, saíamos juntos, tínhamos o mesmo grupo de amigo e a transição para a vida adulta, as descobertas, as paixões, tudo foi compartilhado. Era minha parceira, confidente e amiga.

Já formados em Direito trabalhamos juntos como advogados, no mesmo escritório. Nossos filhos são da mesma faixa etária e nos preocupamos com os filhos um do outro tanto quanto nos preocupamos com os nossos. Os meus eram dela também, e vice-versa.

Infelizmente minha irmã faleceu de forma abrupta em agosto de 2015. Nunca senti tamanha dor na minha vida. Ainda hoje me falta um pedaço de mim. O certo é que nos dias que se seguiram à sua morte, muitos amigos entraram em contato para prestar os pêsames e solidariedade. Alguns deles que não falávamos há muito tempo.

Elizângela Falcão estudou conosco no ensino fundamental menor. Ela foi uma dessas pessoas com quem eu não falava há muito tempo que tentaram me dizer alguma palavra amiga. Como ela é espírita, disse-me entre outras coisas que minha irmã tentaria manter contato conosco. Que esse contato poderia ser através de sonhos, cartas psicografadas, entre outras hipóteses possíveis das quais não me recordo agora. No momento achei a idéia reconfortante… Seria bom saber se existe vida após a morte e em que lugar e como poderia estar minha irmã. Mas não julguei que fosse possível.

Mais ou menos na mesma época, Liana Lima, outra conhecida da infância que há muito não falava comigo entrou em contato com meu tio José Olindo para dizer que tinha sonhado com minha irmã.

No sonho ela estava na porta da casa de seus pais com a irmã Karol e via de longe Jana se aproximando. Surpresa ela dizia: “Olha ali Karol, quem vem lá, é a Jana…”. Minha irmã então se aproximava e dizia que não tivessem medo, que ela estava morta, mas não estava ali para causar mal a ninguém. Pedia apenas que dessem a nós da família que ela tinha algo muito importante para dizer e que precisava falar conosco”.

Nos dias que se seguiram a isso ficamos pensando o que ela poderia querer falar conosco de tão importante e, a convite do meu tio Zé Olindo, o acompanhei a um Centro Espírito que psicografava cartas de pessoas mortas a seus entes queridos, mas sinceramente eu não me convenci do que eu vi ali. Parecia jogo de carta marcada. Coisa ensaiada e combinada. De qualquer forma, naquele dia não teve nenhuma carta de minha irmã ali.

Os dias se passaram e a falta que ela fazia me causou muita dor. Eu vivia fazendo posts nas redes sociais lamentando a sua partida precoce e relembrando os momentos que tivemos juntos. Por vezes acordei chorando no meio da noite. Era uma coisa que causava um sufoco, sei lá. Um dia, pela manhã, acordei e palavras me vieram à mente em forma de poesia e comecei a escrevê-las em um papel:

SAUDADE

Saudade é uma dor forte
Que machuca o coração
Quando deriva da morte
Nos retira a ilusão
De, em vida, ter a sorte
De rever ao irmão.

Causa um aperto no coração,
Na face lágrimas a deslizar,
Faz faltar ar no pulmão,
Fica difícil respirar.

Nos resta apenas o conforto de crer
Que quando viermos a morrer
Aqueles que amamos iremos rever
E uma Feliz eternidade a seu lado iremos ter.

Por enquanto vamos vivendo
Sobrevivendo
Sendo mais que tendo
Amando e com a dor da saudade convivendo.

Esse poema traduz exatamente como eu me sentia naquele tempo. Enquanto eu o escrevia, lágrimas escorriam pela minha face molhando o papel. Um aperto enorme no peito, um sufoco, uma angústia, tomava conta de  mim. Eu precisava superar, seguir em frente, mas simplesmente eu não conseguia.

Uma noite eu assisti um filme com minha esposa e pouco tempo depois peguei no sono. De repente me vi num lugar muito lindo. Era um imenso gramado bem verdinho que não tinha fim. Até onde a vista alcançava só se via a grama e, acima dela, apenas o céu muito azul, sem nenhuma nuvem. Pra todo lado que eu olhava era só isso o que via. Foi quando vi ao longe uma pessoa. Como estava muito longe, não dava para distinguir se era homem ou mulher. Bom, eu não sabia que lugar era aquele e afim de descobrir resolvi me aproximar daquela pessoa. À medida que me aproximava, a pessoa ia se tornando familiar. Estava de costas, mas eu podia reconhecê-la de qualquer jeito: Era Jana, minha irmãzinha. Ao perceber isso, corri em sua direção gritando alto seu nome. Quando eu me aproximava, ela virou em minha direção com os braços abertos (como que esperando por um abraço) e um sorriso largo no rosto. Ao chegar a ela, abracei-a forte e perguntei como ela estava e onde tinha estado durante todo aquele tempo que não a via. Ela nada respondeu, apenas repousou o queixo sob meu ombro enquanto me abraçava forte, sorrindo. Isso durou mais ou menos uns dois, três minutos. Pudemos matar a saudade. De repente, senti uma força me jogar deitado no chão. Essa força começou a me arrastar pelo chão para longe da minha irmã que apenas acenava se despedindo de mim, até sumir de vista.

Nesse momento eu acordei, mas já não me sentia tão mal como antes.De alguma forma eu sinto que a abracei. Hoje, dia de finados, relembrei isso tudo. A saudade apertou um pouco, mas ao menos agora eu me sinto feliz por saber de alguma forma que ela está bem em algum lugar por aí, onde um dia nossa família poderá se reunir em outro plano de existência. Enquanto isso, guardarei para até meu último dia os bons momentos que tivemos juntos na memória e no coração. #SAUDADES_JANA_GIL

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POR TERCEIRO GIL

 

 

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