CORDEL: O CURUPIRA, A MULA SEM CABEÇA E A BESTA FERA (AUTOR: HELIODORO MORAIS)

Sem título
O folclore brasileiro
Grande por sua riqueza
Permeia a mente do povo
Por sua imensa beleza
Em defesa da moral
Do homem, do animal
Da vida e da natureza
***
Muita gente com certeza
Teve chance de ouvir
A lenda do Curupira
Vinda da nação Tupi
Protetor do animais
De florestas tropicais
Progenitor do Saci

***

Para o povo Guarani
Não era figura rara
Conhecido por Anhanga
Caipora ou caiçara,
Caapora, Pai-do- mato
Existe muito boato
Da ira da sua cara

***

A sua lenda declara
Que Curupira era anão
Tinha cabelos vermelhos
Como brasa de fogão
Dente e pelo esverdeados
Era perverso e malvado
Ao aplicar punição

***

Tinha como proteção
Os pés voltados pra trás
Por suas falsas pegadas
Não ficou preso jamais
Muito poderoso e forte
Ressuscitava da morte
Os queridos animais

***

Os índios querendo paz
Deixavam pelas clareiras
Penas pra lhe agradar
Cobertores e esteiras
Pra lhe servir de consolo
Quem leva fumo de rolo
Escapa dessa fogueira

***

Ele andava na carreira
Montando um porco do mato
Seu cachorro Papamel
Não pegava carrapato
O índio que ele pegava
Com um chicote surrava
Ferindo e dando maltrato

***

O caçador mau de fato
Que a um bicho ameaça
Tem a mulher e os filhos
Transformados numa caça
E soltos na sua trilha
Sem saber mata a família
Descobre e cai em desgraça

***

É melhor não achar graça
Pensando que é mentira
Não mate bicho do mato
Pra não causar sua ira
Escute bem meu recado
Se for pro mato fechado
Cuidado com o Curupira

***

O folclore nos inspira
E deve ser cultivado
Transporta para o presente
As crendices do passado
Ao longo dessa viagem
Nos tornamos personagem
De novo mundo encantado

***

Nossa mente tem guardado
Muita coisa interessante
Como a mula sem cabeça
Um bicho exuberante
Pele negro-acinzentada
Com a cruz branca marcada
No seu pelo cintilante

***

A mulher que for amante
For mulher ou namorada
Do vigário da igreja
Vai ser muito castigada
Vira burrinha de padre
Sai assombrando cidades
Feito uma alma penada

***

Fica numa encruzilhada
De quinta pra sexta-feira
Se transforma nessa besta
Desembesta na carreira
Para pagar seu pecados
Corre em sete povoados
Durante a noite inteira

***

Nessa corrida não queira
Com a mula se encontrar
Seus olhos, unhas e dedos
Ela vai querer chupar
E segue pela estrada
Contrita, amaldiçoada
Até a noite acabar

***

Vai no galope a chorar
Gemendo no seu degredo
Pra ela não lhe atacar
Só existe um segredo
Ao ouvir o seu soluço
Deite e esconda de bruços
As unhas, olhos e dedos

***

É forte de meter medo
Sua ira não é pouca
Lançando bolas de fogo
Pela narina e a boca
Onde tem freio de ferro
Que faz a mula dar berro
Ao ponto de ficar rouca

***

Para anular essa louca
E quebrar o seu encanto
Retire o freio da boca
Tente vencer o espanto
Pois se não tiver coragem
Ela prossegue viagem
Correndo pra todo canto

***

Se o padre no entanto
Resolver excomungar
A sua infeliz amante
Antes da missa rezar
Sem receber comunhão
Vai fazer a maldição
Para sempre se acabar

***

Também basta lhe furar
Não precisa ser demais
É só o sangue jorrar
Que esse mal se desfaz
Vai se livrar da burrinha
Mas passa a vida todinha
Sem nunca mais sentir a paz

***

A mulher que for capaz
Desse pecado lendário
Achando que é piada
Que vem do imaginário
Se quiser é só tentar
Porque vai se transformar
Na burrinha do vigário

***

Se você não é otário
E sai de quinta pra sexta
É melhor  ficar ligado
Se mantendo na espreita
Pode ser que apareça
Uma mula-sem-cabeça
Fazendo papel de besta

***

Como se fosse uma cesta
De produtos à espera
Que a sede do saber
Aflore na primavera
Como banho de cultura
Tiramos das escrituras
A lenda da Besta Fera

***

O mito sobre essa fera
Diz que tem duas metades
De homem e de cavalo
Carregadas de maldade
Que num galope danado
Invade os povoados
As vilas e as cidades

***

Em toda velocidade
Encoberta de mistério
Deixa pessoas malucas
Num estado muito sério
No galope que dispara
A Besta Fera só pára
No portão do cemitério

***

Depois de tal impropério
O seu vulto se desfaz
Se dissipa no espaço
Igual a balão de gás
Porém por onde ele passa
Fica fazendo arruaça
Entre gente e animais

***

Solta os bichos dos currais
Ao longo do seu caminho
Numa louca correria
Faz o maior burburinho
Dizem que tal algazarra
É o cão fazendo farra
Se divertindo sozinho

***

Existe um bom jeitinho
De expulsá-lo pra mata
Basta você conduzir
Consigo um punhal de prata
Que ele não lhe ataca
Corre com medo da faca
Como mulher de barata

***

Tem muita gente sensata
Mas tem quem não se tolera
Mulher que é assombrada
Macho que se desespera
Não pode girar direito
Homem e mulher desse jeito
São iguais à Besta Fera


 

Heliodoro Morais
Enviado por Heliodoro Morais ao Recanto das Letras em 27/07/2009

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