A CIDADE ENCANTADA DE PEDRAS

(São José do Piauí – PI)

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1. O SÍTIO ARQUEOLÓGICO: VESTÍGIOS DO PASSADO

No Povoado Três irmãos, a 5 km da cidade de São José do Piauí e 35 km de Picos, fica um sítio arqueológico cheio de vestígios de antigos habitantes do Piauí. O local apresenta características peculiares, com inúmeras formações rochosas, picos de mais de 100 metros de altura, vegetação de caatinga, brejos, cachoeiras, poços naturais, canyons e fauna; os quais ainda são desconhecidos do mundo científico e turístico. Tem até uma pedra furada, semelhante à de São Raimundo Nonato.

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Os visitantes devem ir bem preparados, pois o lugar é vasto e confunde quem não conhece fazendo assim as pessoas andarem em círculos. Além da beleza natural, vestígios arqueológicos como pinturas rupestres e fósseis, complementam os atrativos do lugar.

Para o historiador José Francisco “o local é de grande importância, não apenas cultural, mas geomorfológica, geoturística, paleontológica, ecológica, etc. Pois além de ser detentora de pinturas rupestres da tradição agreste, o local é rico em lendas, é de rara beleza estética, principalmente por conta do relevo ruiniforme lá presente, também serve de área de nidificação de animais e local representativo da caatinga. Possui rica bio e geogiversidade”.

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A moradora local Ivaneide Matos acredita que a maior importância desse patrimônio é o conhecimento que se pode adquirir quando visita o ambiente cheio de vestígios mnemônicos. “Pode-se encontrar pinturas rupestres, diversas formações rochosas, pode se encontrar uma gruta que não falta água em nenhum momento. Com isso, destaco além das belezas naturais as lendas que giram em torno do local”.

Para Joselí Ecologista, as pinturas rupestres ali presentes são muito mais que indícios de povos antigos, elas registram a possível passagem de alienígenas pelo Piauí. Em sua opinião, uma das gravuras representa a figura de um ET. Mas, acredita ele que, como o local não foi estudado ainda, é preciso que arqueológos, geógrafos e, mesmo, ufólogos, dentre outros cientistas, estudem o lugar para fazer uma datação e análise das pinturas de modo que se possa compreender que povos passaram por ali e em que época isso poderia ter ocorrido, bem como o que eles queriam dizer com aqueles sinais gravados nas pedras.

2. AS LENDAS DO LUGAR

2.1. CAUSOS DE ASSOMBRAÇÃO

Ivaneide Matos contou ainda que os mais velhos da região contam que quando um visitante está no meio da cidade encantada pode ouvir vozes. O jornalista e ecoaventureiro Kildary Gomes conta que já acampou no lugar por diversas vezes e na maior parte delas foram registrados acontecimentos estranhos tipo aparições, barulhos e ruídos.

Segundo ele, uma vez, um grupo formado por pessoas evangélicas resolveu acampar no lugar. Eles não acreditavam muito nas histórias que o povo conta sobre acontecimentos estranhos na região, mas, à noite, ouviram sons e barulhos inexplicáveis, de modo que ao saírem do lugar já não desacreditavam.

A bióloga Andressa Vieira, que também já visitou o lugar, afirma estar convicta de que espíritos ancestrais habitam a cidade encantada e confirma que é comum ouvir coisas por ali.

Joseli e Kildary contam a história de um acampamento em que se encontravam por ali e coisas estranhas foram testemunhadas por várias pessoas que estavam com eles. Haviam armado as barracas em um espaço aberto e, à noite, estavam todos deitados, olhando para o céu, quando visualizaram uma luz brilhante de diversas cor pairando no céu. A luz começou a subir horizontalmente rodando em torno de seu próprio eixo, e, quando estava a uma altura considerável, a luz se dividiu e se tornou duas luzes menores azuis, que subiram até desaparecer no espaço.

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Na mesma noite, por volta de duas horas da madrugada, todos foram dormir e, mais tarde, uma moça de nome Nicole, que acampava com eles, estava em sua barraca quando sentiu alguém puxar no seu pé e, em um primeiro momento, acreditou que fosse um dos amigos brincando, mas ao verificar que todos dormiam achou estranho e, sentiu medo, principalmente depois de ver pelo tecido da barraca a sombra de uma pessoa que lembrava um índio passar em meio ao acampamento.

Pela manhã, conta ao grupo o ocorrido e Aline Alves, radialista que se encontrava com eles, informa que embora não tenha visto a figura, teve a impressão de que alguém rondava o acampamento no meio da noite, sendo que não olhou por medo. Diante disso, o grupo resolve procurar pegadas impressas na terra de alguém que pudesse ter passado por ali, mas não encontram nenhuma pegada humana. Encontram apenas marcas que lembram as pegadas de bois e pela quantidade de marcas só poderiam ter sido feitas por uma manada de gado bovino, nunca por um só animal, até mesmo porque haviam marcas de patas bovinas de vários tamanhos, mas ninguém viu, em nenhum momento, um rebanho passar por ali.

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Joseli conta ainda que na mesma manhã, quando se preparavam para ir embora dali, sua esposa e a radialista Aline Alves ainda ouviram um batuque que lembrava tambores. Kilfary Gomes informa que de fato se ouvem sons de tambores por ali, mas não é como se fosse uma música… é apenas o som.

Joseli conta também que o grupo uma vez ouviu e visualizou ainda uma moto fantasma, que parecia vir correndo por meio dos morros de pedra, com o farol iluminando a noite, até que desapareceu. Ainda foram ao lugar onde teriam visto,, de longe, a moto parar, mas não viram nem sinal. Para eles, com certeza era algo de sobrenatural, pois não existe a menor condição de uma moto transitar por ali, na velocidade em que viram, pois o terreno é muito acidentado.

Seu Antonio Borges, que chegou para morar na região nos anos 60 conta vários causos de assombração. Ele teria visto uma vez um peru fantasma que inchava tanto que chegava a parecer um balão, ia inchando, inchando até sumir… Outra vez estava indo pegar água em um olho d’água que existe ali quando ouviu alguém dizer que ia embora com ele, mas não viu ninguém lá, então disse para a pessoa que ficasse que ia só…  Em uma outra ocasião ouviu um vaqueiro fantasma, invisível, aboaindo o gado… Houve ainda uma outra vez que viu luzes em meio à mata… Para ele, a região é encantada e essas manifestações seriam provocadas pelos antigos habitantes.

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Em conversa pelo whatsapp, Joseli Ecologista contou-me ainda que a última vez que viu algo inexplicável no lugar foi no último sábado (18/11/2017) estava no lugar gravando um curta-metragem de sua autoria chamado “A casa velha”, quando, à noite, ele e a equipe do filme teriam visto muitas luzes se movimentando em meio à floresta, como se fossem caçadores com lanternas, mas ao correrem para o lugar, quanto mais se aproximavam, mais as luzes se afastavam, e ouviam assovios em meio à mata.

Contou-me ainda ele, via whatsapp, três lendas que povoam o imaginário do povo da região e que narro nos tópicos a seguir.

2.2. A LENDA DA SANTA ENCANTADA

Segundo os mais antigos, na cidade encantada existe uma formação rochosa onde, de longe, é possível ver uma santa em seu topo, mas à medida em que a pessoa se aproxima, ela desaparece.

Ao que contam, a santa sempre desaparece quando alguém tenta escalar a rocha  em que ela fica para chegar perto. O interessante é que quando ela desaparece, nem quem está em cima e nem quem está embaixo consegue ver ela mais.

Antigamente ela aparecia em outra pedra, mas devido às insistentes tentativas, ela mudou de lugar por duas vezes já, para não ser incomodada.

2.3. A LENDA DOS LEÕES DA TERRA

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Muitos caçadores da região contam a história de uma mulher de branco que aparece em meio à noite na mata e lhes atrai para uma caverna nas rochas.

Os homens acreditando que iriam ter com a bela uma noite de luxúria e  pecados da carne, mas, lá chegando, a mulher desaparece e, em seu lugar, brotam da terra dois leões com duas presas enormes, semelhantes a marfins de elefante, e devoram os caçadores.

Poucos escaparam dessa emboscada, mas foram suficientes os sobreviventes para propagar a história pela região.

2.4. A PRINCESA ENCANTADA

Os mais antigos moradores do lugar contam há muito tempo que as  rochas da cidade encantada são na verdade um reino encantado há muito tempo por um feitiço antigo que transformou o lugar em pedra.

Reza a lenda que no lugar existe uma grota nas rochas em que se esconde uma serpente enorme. No dia em que alguém matar a cobra, o reino vai se desencantar e a serpente vai assumir a forma de uma linda princesa que, em agradecimento, vai se casar com o salvador e lhe tornar dar o tesouro de seu reino, deixando a pessoa muito rica.

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2.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A cidade encantada, como se vê, é cercada de magia e encatamento, fazendo, assim, jus a seu nome. São muitos os que se aventuram no lugar tentando desvendar seus mistérios e até desencantar a cidade, para ganhar a princesa e o tesouro.

Enquanto ninguém consegue, vale a pena visitar o lugar para conhecer as belezas naturais e arqueológicas da região, o que, por si, já deixará o visitante deslumbrado pelo cenário de enorme beleza.

3. REFERÊNCIAS

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