SUCURUJU (SUCUIUIÚ / SURUQUABRACHIM)

(Lenda do Piauí)

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O mito da Sucuruju (para os índios Suruquabrachim, e para o caboclo do sertão Sucuiuiú) é relacionado a vários rios, riachos, lagos, lagoas e açudes no território piauiense. Já era conhecida pelos índios e seria fruto da união entre o Minhocão e uma fêmea do peixe Piraquê, por quem o monstro se apaixonou no final do século XVIII, na região do hoje município de Buriti dos Lopes (PI). Essa união, aliás, também deu origem à Sucuri, outro terror das águas piauienses que, embora não possua veneno, é dotada de grande força.

No município de Landri Sales (PI) a Sucuruju transita pelos arredores do Riacho do Brejo, Riacho da Prata e Lagoa da Velha. É menor que seu pai minhocão, mas bem maior que sua irmã, a Sucuri. Chega a alcançar cerca de 40 metros de comprimento e se alimenta de tudo que é vivo, sejam animais, sejam humanos. Gosta de se movimentar pelo fundo dos corpos d’água, para deixar as águas turvas e, assim, se esconder das vistas das pessoas.

Reza a lenda que a Sucuruju geralmente avisa sua presa antes de atacar. Do fundo das águas, emite, por três vezes, um silvo agudo, que as pessoas percebem como um assobio. Enquanto as vítimas, desorientadas, procuram que estaria a assobiar, a Sucuruju salta do lago e laça a sua presa, enrolando-se em seu corpo, sufocando-a até a morte, ocasião em que a engole e parte para digerir o alimento no fundo da água.

Por todo o Piauí ouvem-se relatos de pescadores e banhistas assustados com o ataque do monstro, que não raras vezes fez vítimas fatais. Em Pedro II contam a história de Sucuruju que habita o fundo da barragem de Seu Lauro Cordeiro.

Ali, à tardinha, é possível ouvir um ronco profundo ecoando das profundezas das águas turvas. Vez por outra, quando o bicho se move, as águas barrentas se agitam como se aquilo fosse o mar. Eram incontáveis as pessoas que o bicho já tinha tragado para sua toca no fundo da barragem.

Um dia um popular teve a idéia de servir uma feijoada quente e bem apimentada para a cobra. Junto com alguns amigos colocou o tacho de feijoada sobre a pedra do oco, um lajedo que ficava em cima da toca da fera. Em seguida, esconderam-se em meio ao mato e ficaram de tocaia para ver se a criatura caía na armadilha.

A certa altura do dia, as águas borbulharam e das profundezas surgiu a sucuruju, uma enorme cobra monstruosa. Mas não estava só. Lhe acompanhavam um amontoado de cabeças humanas que, dizem, eram as cabeças de sua vítima, que eram guiadas pela sucuruju telepaticamente. As cabeças se dirigiram até o tacho de feijoada e o trouxeram até sua mestra, que o devorou por inteiro prontamente.

Ao ingerir a feijoada quente e bem apimentada a cobra deu um urro de dor. Aquilo lhe desceu pela goela queimando tudo no caminho e, ainda por cima, causou-lhe uma enorme dor de barriga.

Desde então, dizem que quem quiser banhar nas águas da barragem, se não quiser virar comida de cobra, basta nadar com uma pimenta de cheiro presa no dente pelo talo. É que desde o dia que comeu a feijoada a serpente passou a repugnar pimenta.

FONTE:

  • SILVA, Josias Clarence Carneiro da. Encanto e Terror das Águas Piauienses. Teresina, 1982.
  • GETIRANA, Ernani. Lendas de Pedro II. Teresina: Halley, 2009.
  • NOLÊTO, Rafael. Mitologia Piaga: Deuses, Encantados, Espíritos e outros Seres Lendários do Piauí. Teresina: Clube de Autores, 2019.

 

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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