O TESOURO PERDIDO DE FIDIÉ

(Campo Maior – Piauí)
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No ano de 1823 o Piauí foi palco de uma das maiores batalhas pela independência do Brasil: A Batalha do Jenipapo. Camponeses armados apenas com ferramentas de lavrar a terra (foices, facões…) enfrentaram as tropas portuguesas, com todo o tipo de armas da época. Os brasileiros lutavam pela independência e os portugueses pela manutenção de seu domínio sobre as terras brasileiras.
 

UM RESUMO SOBRE FIDIÉ E A BATALHA DO JENIPAPO

 
O texto a seguir não é de nossa autoria. Encontra-se exposto em quadros, presentes no Monumento aos Heróis do Jenipapo, e contam resumidamente a História da Batalha e relatam o desenrolar dos episódios posteriores:
 
I. D. João VI, ao retornar a Portugal em 1821, reconheceu que a Independência do Brasil era impossível de conter-se. Desejava preservar o norte do país, reunido, como colônia portuguesa, Pará, Maranhão e Piauí. Este, de grande riqueza em gado bovino, poderia cortar o suprimento de carne a outras regiões brasileiras, inclusive ao sul. Para o comando das armas em Oeiras, então Capital do Piauí, o rei nomeou o militar português João José da Cunha Fidié, empossado a 9 de agosto de 1822.
 
II. A 7 de setembro de 1822, às margens do riacho do Ipiranga, o Príncipe Regente D. Pedro proclama a Independência do Brasil. Em Parnaíba, um grupo de patriotas, à frente dos quais João Candido de Deus e Silva e Simplício Dias da Silva, declara sua adesão à causa da Independência e aclama Imperador o Príncipe D. Pedro a 19 de outubro de 1822. Com o objetivo de sufocar o levante, Fidié marcha para Parnaíba, cerca de 700 quilômetros distante, com tropas de linha, lá chegando em 18 de dezembro de 1822. Encontrou a vila guardada pelo brigue Infante Dom Miguel, vindo do Maranhão, com tropa e armamento em seu auxílio. Os chefes da revolta refugiaram-se em Granja no Ceará.
 
III. Em Oeiras, a 24 de janeiro de 1823, Manuel de Sousa Martins, futuro Visconde da Parnaíba, proclama a Independência e assume a presidência da Junta do Governo do Piauí. Ao receber, a 28 de fevereiro de 1823, a notícia dos sucessos na Capital, Fidié delibera regressar, no comando de mais de 1100 homens bem armadas. Disponha de 11 peças de artilharia e o seu exército se aumentara de contingentes do brigue Infante Dom Miguel e da guarnição de Carnaubeiras, no Maranhão. Alimentava o propósito de castigar os revolucionários de Oeiras.
 
IV. Na viagem de volta, o militar português, sabendo que o centro das forças nacionalistas estava em Campo Maior, que aderira à Independência a 2 de fevereiro de 1823, para lá segue em marcha forçada. Na vila, o capitão Luís Rodrigues Chaves convocou os piauienses, mais de mil, a que se juntaram 500 cearenses, uns e outros mal armados de foices, espadas, chuços, facões e velhas espingardas de caça. Fidié desconhecia o número das forças inimigas, entretanto não ignorava que tinha de enfrentar matutos sem disciplina nem instruções militar, mas dispostos a morrer pela causa da Independência. Diz Abdias Neves: “E só a loucura patriótica explica a cegueira desses homens que iam partir ao encontro de Fidié quase desarmados.”
 
V. O mato às margens do rio Jenipapo se compõe de vegetação baixa. O caminho dos patriotas se bifurcava. O comandante João da Costa Alecrim e seus comandados tomaram à direita e pela esquerda seguiram o comandante Luís Rodrigues Chaves e os seus soldados. Era 13 de março de 1823, 9 horas da manhã. O primeiro encontro foi fortemente repelido pelos patriotas sob o comando dos primos de Manuel de Sousa Martins, o Capitão Inácio Francisco de Araújo Costa e seu Irmão, o Padre Marcos de Araújo Costa, filhos do antigo ouvidor de Oeiras Capitão Marcos Francisco de Araújo Costa. Mas Fidié atravessou o Jenipapo, escolheu posição e dispôs os seus homens. Logo se alvejaram os brasileiros por peças de artilharia. O recurso estava em atacar os portugueses ao mesmo tempo de todos os lados e separá-los. Houve tentativa, rechaçada. Outros ataques se deram, com grandes perdas de vidas. A fuzilaria inimiga arrasava o campo. O combate durou até as 2 horas da tarde. Algumas fontes afirmam que houve 200 brasileiros entre mortos e feridos. Outras registram 400.
 
VI. Fidié conquistou vitória aparente. Perdeu parte de sua bagagem de guerra. Acampou a um quilômetro de Campo Maior, na fazenda Tombador. Poucos dias depois, partiu no rumo do Estanhado, hoje União, e daí passou a aquartelar-se em Caxias, no Maranhão, onde piauienses e cearenses o cercaram e fizeram que ele se rendesse a 31 de julho de 1823. Assim se fez a Independência em terras piauienses. Aqui foi preservada a unidade nacional. Escreve João Cândido de Deus e Silva: “As próprias mulheres não ficavam indiferentes: mandavam os maridos, os filhos, os irmãos para a guerra e a fim de que levassem munições e armas vendiam as jóias, se mais nada tinham a vender. A mulher piauiense mostrou, nessa ocasião, a grande fortaleza, o ânimo varonil de lendárias heroínas. Foi inexcedível de amor pelo triunfo completo da Independência — que abraçara, desde as primeiras proclamações.”
 

A LENDA

 
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Enquanto percorria o Piauí, Fidié teria confiscado um enorme tesouro em suas passagens pelas cidades piauienses. Por onde passava confiscava dinheiro e bens preciosos para manter suas tropas, mas claro que ele sempre guardava um pouco para si, afinal ele estava no Brasil e nessas terras tudo é permitido.
Durante a Batalha, muito da bagagem de Fidié foi saqueada pelos brasileiros independentes e, pressentido o perigo ao tesouro que guardava com unhas e dentes, resolveu enterrá-lo. Assim, poderia voltar mais tarde para buscá-lo, quando a batalha estivesse encerrada.
O mapa do tesouro foi enterrado junto com um dos soldados portugueses que pereceu na luta com os sertanejos piauienses.
Fidié nunca voltou para buscar o tesouro. Viveu seus últimos dias em Lisboa como diretor efetivo do Real Colégio Militar, reformando-se em 1854 no posto de tenente-general.
Os habitantes de Campo Maior acreditam que o tesouro esteja enterrado em um lugar conhecido como Capão de Fidié, que fica a menos de 15 quilômetros do centro de Campo Maior, mas ninguém sabe exatamente onde.
Muitos já tentaram encontrá-lo, mas, como dizem, quando um tesouro passa muito tempo enterrado acaba se tornando encantado, de modo que quem adentra o Capão do Fidié com o fim de encontrar o tesouro acaba sempre enfrentando desafios infernais que se sobrepõem em seu caminho, de modo que dizem que o lugar é assombrado.
Assim, para encontrar o tesouro é preciso que a pessoa tenha um coração bondoso, ame seus semelhantes e sua terra, e, acima de tudo, se mostre dotada de imensa coragem, pois essa, com certeza, não é uma missão para qualquer um. Até hoje o tesouro está enterrado, ninguém sabe direito onde, muitos já o procuraram e nunca o encontraram… Você pode se sentir tentado caro leitor, mas se você quiser se aventurar, em busca do tesouro, nas terras conhecidas como Capão do Fidié, lembre-se que terá que enfrentar muitos desafios…
 
FONTE:
 
 
 
 
 
 
QUEIROZ, Áurea. Lendas do Piauí. Teresina: Halley, 2013.
ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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