O LOBISOMEM DA ENCRUZILHADA 

(Altos, Piauí)

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Alguns anos atrás, um senhor a quem iremos chamar de Raimundo, hoje residente no bairro Batalhão, vinha vindo da roça, próximo ao Morro do Carretão, quando, de repente, deu de cara com um compadre seu que lhe ofereceu algumas canas caianas e pediu que ele adentrasse ao terreno para que pudessem cortar as iguarias.
Raimundo aceitou o convite e lá chegando agradeceu a hospitalidade e começou a cortar as canas em cortes pontiagudos e, depois de um tempo, seguiu seu caminho por uma vareda de areia bem branquinha, como se fosse farinha, levando consigo algumas canas.
Foi então que percebeu que o sol estava se pondo e, nesse momento, lembrou da história que o povo vinha contando sobre um bicho que andava devorando cabras, galinhas e outros animais dos agricultores da região e que o povo dizia que era um lobisomem. Com o céu escurecendo, o homem já estava todo nervoso. Não conseguia parar de pensar no tal bicho.
Mais à frente, em uma encruzilhada, percebeu ao longe um vulto cruzando seu caminho. Não era uma coisa qualquer. Não deu direito pra ver o que era, mas seja lá o que fosse, era enorme e bem assustador. Raimundo parou por um instante e jogou algumas canas no chão, mas manteve duas, as mais pontiagudas, consigo, uma em cada mão, e continuou a caminhar.
Sentia seu coração pulando forte no peito, como que lhe ordenando sair dali ligeiro e um arrepio congelante percorria todo o seu corpo a cada vez que ouvia as pisadas do bicho a lhe rodear por dentro do mato, como que uma besta caçando sua presa.
De repente, aquela coisa horrenda, com pernas enormes e cabeludas e um rosto meio humano e meio animal se punha ali, com um salto, diante dele. Raimundo não contou conversa. Como que por impulso arremessou as canas pontiagudas contra a fera como se fossem duas lanças e, em seguida, saiu correndo no rumo de casa sem saber se tinha atingido a coisa ou não. Apenas ouvia à distância urros aterradores e muito barulhentos.
Chegando em casa, todos perceberam, de imediato, que ele estava muito pálido e lhe perguntaram o que tinha acontecido. Raimundo então contou a sua gente todo o ocorrido, mas ninguém acreditou nele. Só podia ser coisa da sua imaginação, uma peça pregada pela mente, é o que diziam.
No dia seguinte, levantou cedo e voltou ao lugar em que tinha encontrado a fera para ver se achava as canas que tinha deixado para trás. Quando ia se aproximando, ouviu ainda de longe aquele murmurinho de populares, que logo mais à frente viu tratar-se de um amontoado de pessoas que, em círculo, admiravam algo. Curioso, aproximou-se e viu que havia um homem deitado ao solo. Um lençol lhe cobria da cintura para baixo. O homem estava atravessado por uma das canas que tinha atirado no bicho na noite anterior.
Nesse momento, Raimundo pediu que tirassem o lençol de cima dos membros inferiores do homem. Nesse momento ele viu uma cena que jamais sairá de sua mente: o homem não havia revertido totalmente a sua transformação. As suas pernas ainda eram as do bicho que havia encontrado na noite anterior.
Desde então, nunca mais nada atacou os animais da região. É quase certo que era o homem quem os devorava quando virava bicho. As pessoas também não duvidaram mais da história de Raimundo. Todos sabiam que era ele quem havia matado a fera…

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FONTE:

Relato de Adriano Santos, altoense, hoje residente em Natal-RN

 

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

 

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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