A MINA PERDIDA DE MURIBECA

(Sul do Piauí, proximidades do Rio Gurguéia)

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Diogo Alvares Correia, o Caramuru, era um europeu que chegou ao Brasil após naufragar em uma caravela na costa brasileira, nas proximidades da Bahia, sendo o único sobrevivente do sinistro. Passou a vida entre os índios tupis-guaranis e casou-se com a bela indígena Paraguaçu, com quem gerou farta descendência.
Um de seus filhos, Muribeca, depois de crescido passou a andar com os índios tapuias. Em uma dessas andanças foi levado por esses indígenas em uma viagem de vários dias Brasil adentro, e, em lugar incerto e insabido hoje em dia, os índios lhe mostraram uma riquíssima mina de ouro, prata, diamantes, esmeraldas e rubis. Como não era besta nem nada, logo organizou a exploração da mina, vendendo as riquezas dali extraídas no Porto da Bahia (Salvador), de modo que logo se tornou um homem riquíssimo.
Obviamente, isso não passou despercebido da coroa portuguesa, que logo quis saber onde ficava a tal mina. Organizaram expedições financiadas por Portugal, mas não tiveram sucesso na empreitada. Depois da morte de Muribeca, um filho seu de nome Robério Dias viu no interesse português na minha a oportunidade para ascender à nobreza. Em uma viagem a Portugal, propôs ao rei que se ele lhe concedesse o título de marquês, revelaria a exata localização da mina. O rei de pronto concordou e foi organizada uma expedição na qual Robério levaria oficiais do rei até a mina. Os oficiais levavam consigo a carta que, em tese, concederia o título de nobreza a Robério. Chegando em Salvador, o rapaz, desconfiado do conteúdo do documento, que diziam que lhe seria entregue só após apontar a mina, consegue ludibriar os agentes da coroa portuguesa e, assim, tomar conhecimento do conteúdo do documento: ali o rei não lhe concedia o título prometido, mas um de menor importância – capitão de missão militar.
Diante disso, recusou-se a revelar o segredo da localização da mina, sendo por isso aprisionado. Ainda assim, o homem não cedeu e jamais apontou a localização do lugar de riquezas infinitas. Morreu em 1622, levando consigo o segredo.
Ao longo dos anos, muitos já tentaram localizar a mina, mas não obtiveram sucesso. Exploradores chegaram a procurar a mina no Goiás e até no Amazonas, mas nada foi encontrado. Houve mesmo quem morresse em sua procura. A história mexeu tanto com o imaginário popular da época que em seu romance “AS MINAS DE PRATA”, uma espécie de continuação de “O GUARANI”, o escritor cearense José de Alencar usou como pano de fundo o que conhecia sobre ela, chegando mesmo a utilizar como personagem do romance o próprio Robério Dias. E não é a toa: ao que dizem as riquezas da mina de Muribeca colocariam a famosa cidade perdida de Eldorado no chinelo, sendo aquela, no mínimo, umas cem vezes mais rica que a última.
Alguns apontam que a mina ficaria na Bahia, mais precisamente na cidade de Macaúbas, onde existe um buraco no topo de um morro, em que muitos acreditam ser a entrada da mina. O buraco é chamado até hoje de “Buraco do Muribeca”. Todavia, apesar de naquela região, existir grande presença indígena em tempos antigos, as tribos que ali habitavam pertenciam aos índios tupinaés, e não aos tapuias, que no dizer da lenda eram quem andavam com Muribeca, o que leva à inconsistência de referida versão. Depois de tanta procura, na Bahia já há quem duvide que a mina ficaria por ali.
Uma outra versão da história, contudo, aponta que na verdade as minas de Muribeca ficariam no sul do Piauí, nas proximidades do Rio Gurguéia, e, inclusive, teria sido procurada por desbravadores das terras piauienses, como os bandeirantes Domingos Jorge Velho e Domingos Afonso Mafrense, que eram convictos de que as minas ficavam por aqui. No Piauí, sim, haviam índios tapuias. Além disso, a geografia da região levava a crer que a mina pudesse estar mesmo por ali.
Muitos acham que alguns até já podem ter encontrado a mina, mas nunca voltaram pra contar a história. É que se acredita que muitos tapuias ao verem seu povo dizimado pelos bandeirantes durante a colonização do Piauí, buscaram refúgio na mina secreta, vivendo ali até hoje, ocultos dos olhos da civilização, de modo que quem encontrar o local será, provavelmente, aprisionado ou morto por bravos guerreiros indígenas, razão pela qual os piauienses, aos poucos, desistiram de procurar o lugar.
Mesmo nos dias de hoje, ainda há quem acredite que em algum lugar, no sul do Piauí, ali por perto do Rio Gurguéia, estão escondidas as riquezas da mina do Muribeca, à espera de alguém corajoso o suficiente para procurá-las e que tenha a sorte(?) de encontrá-las.
FONTE:
NETO, Adrião. RAÍZES DO PIAUÍ. Disponível em: <http://usinadeletras.tempsite.ws/exibelotexto.php?cod=10050&cat=Contos&vinda=S>. Acesso em 20 set. 2017.
ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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