A MULHER DE BRANCO

(Proximidade do Açude do Romildo e do Soturno, zona rural de Altos)
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O que comumente se chama de mulher de branco são espíritos errantes que vagueiam pelas estradas altas horas da noite. Por vezes são apenas vistas caminhando pela estrada, enquanto há casos em que pegam caronas em veículos que passam nas estradas em que são vistas.
São espíritos de mulheres que viveram um amor proibido, enfrentando por conta disso consequências devastadoras que as levaram a uma morte violenta ou fizeram com que cometessem suicídio.
Outras vezes são mulheres envolvidas em um casamento infeliz, que matam aos próprios filhos e depois se suicidam, sendo, por isso, condenadas a vagar, aos prantos, pelas estradas noturnas.
Tais visões são comuns por todo o mundo, havendo relatos os mais variados. Caminhoneiros e motoristas que dirigem à noite comumente dão de cara com uma dessas assombrações que, por vezes, lhes pede carona.
Em Altos, conta-se a história perturbadora de um desses espíritos errantes. Ao que dizem, trata-se de uma mulher envolvida em um amor proibido, que se relacionava com um homem casado e teria engravidado deste. Como o homem não queria nada com a moça, e temia perder a esposa caso a relação escondida viesse à tona, ele teria assassinado ela tempos atrás próximo do Açude do Romildo, localizado na zona rural de Altos, às margens da estrada de piçarra que leva ao Soturno.
A estrada, como é comum em regiões rurais, é, em sua maior parte, deserta (as residências são distantes umas das outras, de modo que, por longos trechos, quem viaja por ali, não vê viva alma, em especial à noite) e não possui qualquer iluminação elétrica. O palco perfeito para crime tão vil.
Em outro trecho, distante alguns quilômetros, mais precisamente na Localidade Soturno, é possível ver, à margem da estrada, um cemitério. Ao que dizem, a pobre mulher foi sepultada naquele lugar.
Desde então, seu espírito é visto vagando no trecho entre o cemitério e o Açude, pelas pessoas que transitam por ali nas noites escuras. Existem muitos relatos que dão conta da assombração… A professora Irene Nascimento, de Altos, afirma que seu pai, quando vivo, tinha muito medo de andar por aquela estrada à noite, em virtude de uma vez ter percebido na madrugada coisas estranhas por ali. Um dos relatos mais famosos nem é tão antigo…
Na madrugada de 9 de Agosto de 2014, um rapaz e duas moças viveram uma noite de terror. Era uma noite de sábado para domingo. O dia dos pais seria celebrado no dia seguinte e no céu a lua estava minguante. Voltavam de uma festa na localidade Sâo Bráz, onde tinham acabado de ter uma noite divertida, em uma motocicleta quando, próximos do Cemitério Soturno sentiram como se a motocicleta começasse a pesar. Por mais que acelerassem, a moto havia perdido a força. Ainda assim, por estarem longe de casa, prosseguiram a viagem.
Mais adiante, seguindo rumo à zona urbana de Altos, em uma região cheia de coqueiros, sentiram uma brusca queda na temperatura e começaram a ouvir gritos vindos de dentro da mata. A essa altura a moto quase não tinha forças para andar. Era como se algo a puxasse para trás, de modo que só andava para a frente a muito custo. Perceberam, ali, que não se tratava de um problema mecânico, mas de algo sobrenatural que os acompanhava desde o cemitério afetando o desempenho do veículo.
A certa altura da viagem, quando se aproximavam do Açude do Romildo, perceberam uma mulher de branco com a cabeça coberta por um véu, andando cabisbaixa e de pés descalços à margem da estrada. A princípio estranharam o fato de alguém estar andando daquele jeito naquela estrada àquela hora, mas não pensaram tratar-se de uma alma desencarnada. Só quando passaram por ela é que a moça que vinha na parte detrás da garupa da moto começou a gritar aterrorizada. Assustado com a reação brusca da amiga, o motorista parou a moto adiante para ver o que acontecia. Nesse momento, todos olharam para trás e perceberam que através do véu dois olhos brancos brilhavam na escuridão.
Aterrorizados, aceleraram a moto tanto quanto podiam, seguindo em disparada rumo ao Bairro Bacurizeiro, na zona urbana da cidade de Altos, onde moravam. Lá chegando, o rapaz deixou as duas moças em choque em suas casas, de modo que tiveram que ser amparadas por familiares para que se acalmassem, após explicarem o ocorrido. Após, o rapaz seguiu para sua casa, que ficava ali próximo, no mesmo bairro.
Em frente a sua casa novo susto. A mulher estava parada dentro de uma grade em que eram postos botijões expostos para a venda, olhando para ele. Tomou coragem e resolveu se aproximar do vulto, mas ela despareceu quando chegava perto. Já com muito medo de tudo que tinha visto, o rapaz entrou em casa. Foi quando percebeu que o ambiente de seu lar estava muito frio, indo então deitar em sua cama debaixo das cobertas enquanto rezava para todos os santos possíveis pedindo que aquilo acabasse de vez.
Nesse momento ouviu gritos horríveis vindos de fora da casa enquanto o seu telhado era atingido pelo que parecia ser uma chuva de pequenas pedras de seixo. Nas ruas cachorros latiam descontroladamente, como que reagindo a algo ou alguém que lhes perturbava. O rapaz, então, criou coragem e caminhou até a porta da frente, abrindo-a, para ver o que estava causando tudo aquilo. Lá fora viu apenas a mulher magra e toda de branco, com dois olhos, brilhando sob o véu, lhe encarando fixamente.
O rapaz teria sido perturbado por algumas noites seguintes, até que buscou orientação espiritual com um médium conhecido seu, que lhe disse que aquilo estava sendo causado por uma alma atormentada em busca de luz e lhe mandou ofertar velas e orações a ela, de modo que assim o fez, desaparecendo o espírito, bem como os fenômenos que causava, após alguns dias.
Esse relato assombroso é bem conhecido na cidade de Altos, em especial na região do Bairro Bacurizeiro, onde vivem até hoje o rapaz e as duas moças. Outros relatos dão conta da aparição, de modo que dizem que até hoje ela vaga entre o Soturno e o Açude do Romildo, onde é vista vez por outra por algum descuidado que se atreva a se aventurar nas noites daquela estrada assombrada…
FONTE:
CARVALHO, Rafael. DIA 9/8: UMA NOITE DE TERROR. In: Contos de Terror Altoense, 10 out. 2014. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/185851718227175/search/?query=Rafael%20Carvalho&epa=SEARCH_BOX&gt;. Acesso em 03 mar. 2019.
LIMA, Irene Nascimento. Comentário em DIA 9/8: UMA NOITE DE TERROR. In: Contos de Terror Altoense. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/185851718227175/search/?query=Rafael%20Carvalho&epa=SEARCH_BOX&gt;. Acesso em 03 mar. 2019.
RIBEIRO, Keyliane. Relato via comentário em post de facebook a José Gil Barbosa Terceiro. In: Causos Assustadores do Piauí. Disponível em: <https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1899787756948887&set=g.822070491194786&type=1&theater&ifg=1&gt;. Acesso em 03 mar. 2019.
SANTOS, Adriano. Relato via comentário em post de facebook a José Gil Barbosa Terceiro. In: Causos Assustadores do Piauí. Disponível em: <https://www.facebook.com/groups/822070491194786/?ref=group_header&gt;. Acesso em 03 mar. 2019.
ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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