A DIRETORA FANTASMA

(CETI RAMA BOA / ALTOS – PIAUÍ)

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O Centro Estadual de Tempo Integral Rama Boa é uma escola mantida pelo governo do estado, localizada na Rua Dom Pedro II, à altura do bairro Batalhão, em Altos, Piauí. A data de sua fundação remete ao ano de 1953 quando foi fundado como uma escola rural pelo Departamento de Educação do governo do estado de então. Nessa época, a zona urbana de Altos não alcançava a região em que foi construída a escola. A localidade, então rural, era conhecida como Rama Boa. O nome, acredita-se, está relacionado à qualidade da terra, muito fértil, onde se podia plantar de tudo. A escola, desse modo, herdou o nome da antiga localidade rural. Uma curiosidade é que o “Rama Boa” é o único colégio de Altos que não leva o nome de uma pessoa, mas de um lugar.

A urbanização da região se intensificou com a construção da estrada de ferro que passa ali perto. O bairro que nasceu a partir de então passou a se chamar Batalhão por conta do fato de um batalhão militar ter se instalado na região para auxiliar na construção da linha férrea e da estação ferroviária.

Em seus primeiros anos, a escola funcionou como uma escola primária, mas, com o decorrer do tempo, atendeu também outras etapas de ensino. Hoje, nos turnos manhã e tarde funciona como escola de tempo integral, e no turno noite funciona atendendo alunos do EJA (programa de educação de jovens e adultos).

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Ao longo de quase sete décadas de existência, foram muitos os educadores que lecionaram no “Rama Boa”. Como é natural pressupor, também foram muitas as diretoras daquela escola. No interior da Diretoria, inclusive, existe uma galeria com fotos de ex-diretores. A galeria fotográfica foi inaugurada em 17 de dezembro de 2009, gestão do governador José Wellington Barroso de Araújo Dias, quando era supervisora de ensino no município de Altos Maria Lavina da Silva Almeida, ocasião em que a escola era dirigida por Almira Sousa Cardoso e Maria dos Remédios L. Ibiapina Mesquita.

Como é comum em prédios antigos, existe ali a história de uma assombração. Ao que dizem, o fantasma de uma das mais antigas diretoras do lugar percorre as dependências da escola e já teria dado sustos em alunos e funcionários da escola. Os relatos colhidos dão conta de que, quando viva, a mulher exercia sua função com muita dedicação e amor, mas, quando necessário, tinha pulso firme com alunos indisciplinados, não sendo incomum, naquele tempo, o uso de castigos para disciplinar os estudantes mais rebeldes. Além de suspensões e expulsões, era comum enviar alunos à diretoria para ficarem sentados em um canto, de castigo, refletindo sobre o mau comportamento. Por vezes era comum o uso da palmatória, forma de castigo físico que visava corrigir os mais indisciplinados, aplicando uma pancada na palma da mão com um instrumento de madeira.

Não podemos julgar hoje os costumes daquele tempo, que eram aplicados de uma forma geral em todas as escolas, e eram tidos como um método educacional correto por todos os educadores de então. Eram outros tempos e o povo de então pensava de uma outra forma, de modo que tudo isso era muito bem aceito pelas pessoas da época.

O fato é que a tal mulher passou muitos anos no exercício da função de diretora e mesmo quando deixou de trabalhar ali, sempre teve muito apego ao colégio, onde trabalhou por muitos anos. Nunca teria esquecido os dias dedicados à educação de crianças e adolescentes altoenses, hoje pessoas de bem espalhadas por toda a cidade. A tal mulher teria falecido já idosa, no início dos anos 2000, sem nunca esquecer os anos dedicados à escola. O certo é que depois de sua morte coisas estranhas começaram a ser percebidas na escola. Muitas histórias são contadas pelos vigias, que passam a noite na escola depois que encerram as aulas e todos vão embora. Também há relatos entre professores e alunos.

Por vezes são ouvidos sons de mesas e cadeiras sendo arrastadas dentro da diretoria da escola. Todavia, quando vão até lá checar a causa do barulho, nunca encontram ninguém. Outras vezes escutam-se mesas sendo arrastadas pelos corredores da escola. Uma vez um dos vigias estava usando o banheiro à noite, quando escutou o som de mesa sendo arrastada, e apressando-se em ver o que era, encontrou à porta do banheiro, não apenas uma mesa e uma cadeira, mas também uma mulher sentada à mesa, em frente à porta, impedindo sua saída do banheiro. A figura assustadora apenas lhe encarava no mais absoluto silêncio, enquanto o pobre vigia, sem ter para onde ir, assistia a tudo tomado pelo medo. Só quando a assombração desapareceu é que o homem saiu dali correndo e esperou em frente a escola até o raiar do sol, quando recolheu a mesa e a cadeira aos seus lugares de origem. No dia seguinte, foi à diretoria e relatou tudo a professores e membros da direção, ocasião em que reconheceu o espírito em um dos quadros da galeria de ex-diretores.

Outro fenômeno que se verifica com frequência, que já foi percebido não só pelos vigias, mas também por outros funcionários, ocorre no interior da diretoria. Dentro da sala, há uma divisória de madeira com uma porta, que separa a mesa da diretora das mesas dos demais funcionários. Muitos já presenciaram, sem nenhuma explicação, essa porta interna, quando aberta, bater com força, como que sendo fechada furiosamente por uma força sobrenatural. Isso porque nunca se presencia qualquer força natural que possa ter fechado a porta de tal forma, pois se encontra dentro da sala e o que se verifica sempre é a ausência de qualquer pessoa, animal ou ventania que possa ter fechado a porta com tamanha força.

Por vezes, alguns alunos chegaram à diretoria, relatando assustados o encontro com a aparição fantasmagórica da diretora fantasma. No mais das vezes são alunos indisciplinados que se encontram fora de sala de aula durante o horário letivo. Ao que contam a tal mulher os afugenta, mandando que retornem às aulas. Muitos deles reconheceram a figura na galeria de ex-diretores.

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Ao centro, José Gil Barbosa Terceiro, ladeado pelo vigia Gustavo e pela diretora Clemilda.

Ao que dizem, mesmo depois de morta, a tal diretora continua a tentar manter a disciplina, visando o bom funcionamento da escola. Até mesmo os funcionários são assombrados quando não exercem bem suas funções, seja por cansaço ou preguiça. Desse modo, a assombração seria um tipo de guardiã, que zela pelo bom funcionamento da escola, corrigindo a ação de funcionários e alunos com seus sustos sempre que preciso. De fato, depois disso, ao que dizem, nunca mais um vigia dormiu em serviço. Dizem até que tem um vigia com tanto medo de ficar ali só, por já ter dado de cara com a assombração por tantas vezes, que sempre leva seu filho, um rapaz, para passar a noite com ele na escola.

Os funcionários do colégio evitam falar sobre o assunto aos novos alunos, buscando evitar o terror e o medo, que poderiam atrapalhar as aulas, mas, vez por outra, correm os corredores da escola, na informalidade, mais um relato de alguém que deu de cara com a diretora fantasma… Eu sinceramente nunca vi (até porque nunca estudei lá), mas foi exatamente assim que me contaram, e eu que não duvido, pois faz tempo que aprendi que há muito mais nesse mundo do que podemos ver e explicar…

FONTES:

– Relatos orais de Ivan VianaClemilda Almeida e Gustavo Sanfaneiro
– Revista Piauiense dos Municípios. Serviços de Prédios Rurais. Teresina, Dezembro de 1953
– Alunos do 9° ano do Colégio Fênix (Turma Machado de Assis). Colégio Fênix 24 anos: História, Memória, Educação. 2. ed. Altos, PI: Colégio Fênix & Grupo de Pesquisas Zé Bilu, 2019.

 

TEXTO E FOTOS: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

 

ILUSTRAÇÃO: DOUGLAS VIANA

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