O CRIME DO PADRE AMARO

(Campo Maior / Parnaíba)
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Bernardo de Carvalho foi um militar português, político, desbravador e fundador de Campo Maior, Piauí. Nasceu na Vila Pouca do Aguiar, região Norte de Portugal, em meados de século XVII.
Em 29 de novembro de 1718, foi confirmado no posto de mestre-de-campo da conquista das capitanias do Maranhão e Piauí, em que já estava anteriormente provido pelo governador daquele Estado, com o mesmo soldo que se deu ao mestre de campo dos paulistas, Manoel Álvares de Moraes Navarro.
Foi o responsável pela derrota dos Revoltosos indígenas liderados por Mandu Ladino na Confederação dos Tapuios, os chamados índios de corso.
Durante suas conquistas das terras piauienses e no labor de suas fazendas, Bernardo de Carvalho fez vir para auxiliá-lo, Manuel Carvalho de Almeida, seu braço forte e posterior Comissário Geral da Cavalaria do Piauí e fundador de José de Freitas.
Na guerra e vitórias contra os gentios (nativos) sempre se fez acompanhar dos religiosos, dentre os quais podem ser citados Frei Lino Demescent; Frei Diogo da Trindade; Frei Manuel Jesus e Faria e Padre Amaro Barbosa.
Este último, inclusive, teria ajudado Bernardo de Carvalho na construção da primeira capela da povoação por eles inaugurada que se tornaria o atual município de Campo Maior, sendo, por isso, o Padre Amaro Barbosa, considerado até hoje o primeiro Vigário de Campo Maior.
Enquanto Bernardo de Carvalho esteve fixo naquela região celebrou cerimônias religiosas e ajudou a fomentar a fé cristã na povoação nascente. Por vezes, buscava cristianizar também os indígenas, usando, para isso, tanto palavras quanto a força. O Deus Cristão era imposto sobre as divindades indígenas. Aqueles que insistiam na adoração das divindades pagãs eram punidos ou até mortos, servindo, assim, de exemplo aos demais, para que não resistissem à Cristianização.
Quando Bernardo de Carvalho saiu dali, para novamente perseguir os indígenas, os religiosos seguiram sua expedição em missão pelos sertões. Por onde passavam, tentavam impor a fé cristã e construíam capelas.
Isso causava a revolta dos povos indígenas, que muitas vezes atacaram com crueldade os religiosos que percorriam os sertões do Piauí. O exemplo mais emblemático foi, talvez, o do próprio Padre Amaro Barbosa, quando se fazia acompanhar o Mestre de Campo Bernardo de Carvalho em Parnaíba, ocasião em que perseguiam os revoltosos tapuias, os terríveis índios de corso, em reprimenda aos ataques dos índios às Fazendas e povoações de servos do Rei Português fixadas no Piauí e Maranhão. Era mais ou menos a mesma época da batalha que culminou com a morte de Mandu Ladino.
Em uma das batalhas, os índios atacaram a capela que o Padre Amaro havia construído em Parnaíba e pegaram o religioso no lugar. Primeiramente destruíram toda a capela, quebrando imagens sagradas, enquanto o Padre assistia a tudo horrorizado. Em seguida, resolveram dar cabo do próprio religiosos. Depois de matá-lo, ainda o abriram ao meio e arrancaram fora o seu coração, mas não antes de lhe esmagarem os ossos das pernas e da face e, após, lhe esquartejarem.
Naquele dia, os índios saíram vitoriosos. Haviam vingado a violência contra seu povo e contra os seus deuses, recuperando, assim, um pouco de sua honra e mostrando aos colonizadores europeus que também sabiam guerrear. Em verdade, a guerra durou ainda muitos anos. Houveram vários episodios de violência perpetrados e sofridos por ambos os lados, até que os índios do Piauí acabaram quase que totalmente dizimados, pois apesar da coragem, tinham armamento inferior, e sucumbiam facilmente às doenças trazidas pelos europeus.
A guerra, contudo, custou muito caro aos europeus. O próprio Bernardo de Carvalho morreu pobre e endividado, esquecido pela coroa portuguesa, no ano de 1730, sendo sepultado em Conceição das Barras, uma de suas fazendas, hoje, cidade de São Bernardo (MA). Além dele, outros religiosos e homens a serviço do Rei e da Igreja tiveram um fim trágico, mas nenhuma morte sofrida por europeu em solo piauiense foi tão terrível quanto a do Padre Amaro, que pagou muito caro por seu crime contra as nações indígenas.
 
FONTE:
 
– COSTA, F. A. Pereira da. Chronologia Histórica do Estado do Piauhy. Rio de Janeiro: Arte Nova, 1974.
 
– DEUS NETTO, João de.Bernardo de Carvalho e Aguiar: O Conquistador. Bitoraca Blog. Disponível em: <http://bitorocara.blogspot.com/2008/11/bernardo-de-carvalho-e-aguiar.html>. Acesso em 05 de maio de 2019.
 
– MIRANDA, Reginaldo. Mestre de Campo Bernardo de Carvalho e Aguiar. Portal Entretextos. Disponível em: <http://www.portalentretextos.com.br/materia/mestre-de-campo-bernardo-de-carvalho-e-aguiar,12747>. Acesso em 05 de maio de 2019.
 
– NETO, Adrião. Raízes do Piauí. Edição Revista, Melhorada e Ampliada. Teresina: Edições Gerações 70, 2010. Disponível em: <http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=10050&cat=Contos&vinda=S>. Acesso em 05 de maio de 2019.

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