MARIA CONGA

(VALENÇA – PIAUÍ)

ESCRAVA TRONCO

Aproximadamente nos idos de 1800, viveu no Povoado Isidória, na antiga Vila de Valença, um senhor de escravos muto cruel, que tinha entre os seus cativos, uma negra chamada Maria Conga.

Maria era uma mulher de espírito livre, forçada a viver em escravidão, mas que, nem por isso, se submetia. Assim, era considerada pelo seu senhor como uma negra desobediente, rebelde e respondona.

Um dia, seu proprietário ordenou um serviço a Maria, mas esta recusou-se a fazer. Foi a gota d’água: Maria Conga foi condenada a viver por toda a vida presa a um tronco, para servir de exemplo a outros negros que porventura pensassem em desobedecer as ordens de seu proprietário.

Depois de muito tempo, Maria foi libertada no dia da morte do senhor de escravos, pois era praxe naquela região que os negros cativos beijassem os pés do seu senhor morto no caixão. Durante um bom tempo, os negros ficaram ali em fila beijando os pés do proprietário falecido, mas Maria recusou-se dizendo:

– Boca que beija santo, não beija pé de defunto!

A família do morto considerou aquilo uma afronta imperdoável em um momento de dor e condenou Maria a retornar ao tronco, vivendo ali presa por toda uma vida, só sendo libertada em 1888, após a abolição da escravidão no Brasil.

Por conta de sua história de coragem e resistência, bem como pela vida sofrida, Maria passou a ser considerada exemplo de resistência negra à escravidão. Contam que, quando libertada, ficou vagando sem rumo na região do povoado até o dia de sua morte, pois ao lhe darem a liberdade, não lhe deram condições de vida. Maria não tinha casa, nem família, nem emprego, nem nada. Ficou vagando por aí até o dia de sua morte, mas sempre pregando contra a injustiça dos brancos.

Dizem que o seu espírito ainda vaga por ruas desertas e trilhas rurais da região de Valença do Piauí, assombrando e perseguindo pessoas preconceituosas que discriminem os negros ou cometam outras injustiças.

FONTE:

  • NOLÊTO, Rafael. Mitologia Piaga: Deuses, Encantados, Espíritos e outros Seres Lendários do Piauí. Teresina: Clube de Autores, 2019.

 

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

VEJA.com

Notícias sobre política, economia, celebridades, mundo e esportes. Coberturas e reportagens especiais em TVEJA.

Me desculpem, não foi de propósito!

Devaneios irreais sobre uma vida real.

O FOLCLORE BRASILEIRO

O Folclore é uma das nossas mais importantes culturas. Vamos manter a tradição, cultivá-la, divulgá-la, usufruí-la etc.

Se Conto Ninguém Acredita

Histórias de um Subconsciente Pouco Convencional

Colecionador de Sacis

Desde 2015 tirando o folclore da garrafa

Raiz Cultural

Consolidando Cultura Piauiense

Causos Assustadores do Piauí

Mitos, visagens, lendas, ovnis, ets, fenômenos e causos assombrosos do Piauí

WordPress.com em Português (Brasil)

As últimas notícias do WordPress.com e da comunidade WordPress

%d blogueiros gostam disto: