O ENDIABRADO VICENTE NUNES

(CASTELO DO PIAUÍ – PIAUÍ)

VICENTE NUNES

Na antiga Vila de Marvão, há mais de século e meio atrás, viveu, nas região da Localidade São José de Dentro, um valentão, de comportamento estranho, de nome Vicente Nunes. Ninguém tinha coragem de enfrentá-lo, pois todos que se metiam a besta, acabavam sempre mal.

Quando ele se aproximava, as pessoas, buscando evitá-lo, logo escapavam de fininho. Eram poucos os que se atreviam a trocar uma palavra com ele, pois Vicente era capaz das maiores atrocidades, de modo que mesmo os que com ele falavam, estavam sempre sobressaltados, pois temiam que a qualquer momento pudessem se tornar mais uma das vítimas dele.

O tal Vicente era tão mal, que, segundo contam, havia feito um pacto com o demônio para que ninguém nunca pudesse vencê-lo. Como pagamento ao capeta, para receber tal dádiva, teria posto fogo na casa em que viviam os seus familiares, queimando vivos todos os seus parentes. A única sobrevivente, teria sido sua mãe, mas Vicente, para selar de vez o pacto diabólico, matou-a com uma faca, sem dó nem piedade, arrancando fora o fígado do ventre materno e comendo, em seguida, o órgão de sua genitora.

Certo dia, desapareceu o badalo do sino da Igreja de Nossa Senhora do Desterro, e logo todos concluíram que era mais uma das diabruras de Vicente. Logo, resolveram perguntar se havia sido ele quem tinha roubado o badalo do sino, e Vicente, prontamente, respondeu que sim, havia pego o badalo e escondido entre folhas em cima de uma pedra bem alta, no meio da mata.

Todos ficaram horrorizados.  Nem a casa de Deus Vicente respeitava. Um dia, as autoridades policiais resolveram segui-lo, adentrando em meio à mata, por uma trilha de difícil acesso, ocasião em que o viram subindo de costas em cima de uma pedra. Já sabiam: era ali que havia ele escondido o sino da igreja.

PEDRA DO VICENTE NUNES
Pedra do Vicente Nunes

Deram voz de prisão em Vicente, mas este, lá de cima da pedra, desafiava os policiais aos gritos: “Subam… venham me pegar! Subam, se tiverem coragem!”. Não houve, claro, um só corajoso. Ainda dispararam alguns tiros, mas ninguém conseguia acertá-lo. O pacto sinistro havia fechado o corpo de Vicente.

Para fugir de uma possível prisão, Vicente teria se alistado nas Forças Armadas, tendo servido em um navio durante a Guerra do Paraguai. Nessa época, certa vez, estava no convés do navio, quando jogaram ali uma bomba. O homem, que não tinha medo de nada, pegou o artefato com as mãos e o jogou na água.

O ato foi interpretado como de extremo heroísmo, e seus superiores logo quiseram promovê-lo, com a intenção de dar-lhe a patente de oficial. Vicente, contudo, recusou a honraria, dando a todos os presentes a certeza de que, de fato, era detentor de alguma perturbação.

Ao final da guerra, Vicente desembarcou do navio para voltar a Marvão, mas, logo em seguida, desapareceu, de modo que ninguém sabe o destino que tomou. Para uns, Vicente foi levado ao inferno, por conta do pacto infernal que havia realizado, de modo que, até hoje, sua carne arde em chamas eternas, sem nunca ser consumido, um castigo leve para seus inúmeros pecados.

FONTE:

 

 

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

 

 

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