INÁ, A ENCANTADA DO AÇUDE CALDEIRÃO

(Piripiri – Piauí)

passarela pelas águas do açude caldeirão

A história começa com o casal de ribeirinhos Seu Inácio e Dona Maria. Os dois moravam harmoniosamente em uma singela propriedade às margens do riacho Caldeirão em tempos anteriores à construção do açude. Viviam da lavoura e da pesca artesanal. Eram felizes, mas faltava algo para preencher suas vidas.Faltava vingar o filho desejado. Após sucessivas e frustradas tentativas, dona Maria deu à luz uma linda menina, Maria Inácia. Porém, Dona Maria não resistiu ao difícil parto e morreu. Desolado pela perda da esposa, Seu Inácio dedicou a sua vida a cuidar da pequena, a quem carinhosamente chamava de Iná!Os anos se passaram, Iná se tornou uma mulher bela, forte e graciosa. Tinha a pele e cabelos escuros, sua beleza singular a todos encantava.

Dado início à construção do açude Caldeirão, Seu Inácio foi convidado para trabalhar como vigia da obra.Iná ia todos os dias deixar comida para seu pai. Foi em um desses momentos que ela conheceu aquele que seria o grande e único amor de sua vida, o motorista da obra, chamado Carlos, que ao ver tamanha beleza ficou tomado de amor por Iná.

Porém, o romance foi terminantemente proibido por Seu Inácio, que, na tentativa de salvar a honra de sua filha da má fama do mulherengo motorista, passou a vigia-los.

Seu Inácio proíbiu a filha de ir até a construção e Iná acatou as ordens do pai. Um dia, suspeitando da ausência do motorista, Seu Inácio foi às pressas até a sua casa para ver se Inácia estava protegida do aproveitador.

Chegando às proximidades de casa, deparou-se com Iná e o motorista tomando banho no poço fundo. Enraivecido, Seu Inácio expulsou o motorista. Iná jurou em prantos ao pai que não havia perdido sua honra, que estavam apenas tomando banho no poço. Mas tal declaração não impediu que o pai lhe aplicasse uma surra de cipó.

De volta à obra, o motorista se explicou, disse que amava Iná e que não havia feito nada, mas que mesmo assim estava disposto a se casar para que ela não ficasse com a honra manchada. Seu Inácio não aceitou, disse que preferia ter a filha desonrada que casada com um sedutor.

O motorista inconformado, pega seu jeep e vai para a cidade tentar curar sua dor de amor nos bares, entregando-se ao álcool. Na volta para o alojamento e já bastante embriagado, o motorista perde o controle do carro nas imediações da ladeira do Araticum, onde morre imediatamente.

Ao saber do ocorrido, Iná se trancou em sua casa, imersa em tristeza. Não sentia mais vontade de sair, de se alimentar, nem de viver. Um dia ao chegar a casa, Seu Inácio, notando a ausência da filha, foi procura-la. Ao chegar ao poço fundo, viu seu corpo já morto, boiando…

O tempo passou, a construção do açude foi concluída, o poço fundo deixou de existir, pois toda a área foi alagada. Estranhamente, nos dias de hoje, alguns pescadores afirmam ver uma bela mulher de cabelos longos se banhando em áreas isoladas do açude durante os “dias de lua”.

Reza, ainda, uma lenda que, em noites de lua cheia, Iná surge em busca de mulheres acompanhadas por homens, que estejam se banhando no açude, e se apossa de seus corpos para, enfim, poder realizar o ato de amor que seu pai a impediu.

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Texto transcrito e adaptado por Aline Castro a partir do relato de Simplicio Mario Oliveira
Correção gramatical por Patricia Batista-Uespi

FONTE: PORTAL PIRACURUCA

 

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