LOBISOMENS DO PIAUÍ

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Os primeiros relatos de avistamento de lobisomens surgiram na Grécia antiga e na Europa Medieval, de modo que, no Brasil, o bicho teria chegado por meio das grandes navegações. Como Portugal mandava para o Brasil tudo que era gente ruim de lá pra cá com a aplicação da pena de degredo a toda sorte de criminosos, é possível que os primeiros lobisomens tenham chegado ao Brasil em meio aos degredados. O certo é que, de lá pra cá, o bicho passou a ser visto com frequência em terras brasileiras, onde o ambiente e o calor dos trópicos, fez com que se adaptassem ao meio, causando uma mutação nesse tipo de fera, que, por aqui, assumiu características próprias.

No Piauí, por exemplo, o lobisomem se tornou um pouco diferente do seu primo europeu… Por aqui, o bicho não se transforma necessariamente em noites de lua cheia, mas apenas nas noites de quinta para sexta-feira em que se apresente uma lua cheia no céu. O bicho pra se metamorfosear precisa encontrar um daqueles locais em que um jumento deita, rola e chafurda a terra. Só ali é que o bicho pode se transformar, na terra ainda marcada pelo animal, repetindo o mesmo cerimonial, ou seja, deitando e rolando no que o povo chama de espojeiro de jumento.

Adrião Neto, conceituado autor piauiense, conta que “ele tira a roupa e, depois de virar todas as roupas pelo avesso, se deita no espojeiro de um jumento. E, rolando no chão, três vezes para um lado e três vezes para o outro, se transforma num bicho feio e cabeludo”.

Segundo Daniel Sousa​, sua (mãe ou avó) quando criança, morando no Morro do Boréu, brincava à tardinha nos galhos de um pé de manga por ali, deliciando-se com as frutas, quando, embaixo dela, no chão, chegou um homem que tirou a roupa e começou a rolar no chão, bem onde havia um espojeiro de jumento, rolando e jogando a areia pra cima enquanto isso (exatamente como faz o jumento). Quando a poeira baixou, em lugar do homem havia um bicho peludo que saiu correndo aos saltos. A menina teria dado graças a Deus pelo bicho não ter visto ela. Ao se certificar que ele tinha partido dali, desceu da árvore e correu pra casa, temendo o retorno do monstro ao lugar, até porque dizem que ele tem que reverter a transformação no mesmo espojeiro de jumento em que se transformou (o que dizem é que o monstro só pode se transformar em espojeiro de jumento, não servindo o de outro animal, pois só o jumento carrega nas costas a cruz que esfrega no solo quando rola nele).

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Ilustração: Douglas Viana

A dona Baíca, residente próximo do Cemitério de Altos, me contou que já viu um lobisomem por ali. Entre o muro da casa de Dona Baíca e o muro do cemitério há apenas um pequeno beco (por onde só passa uma pessoa de cada vez) que leva ao alto do morro que fica por trás da morada dos mortos. Segundo ela, alguns anos atrás, já fazia alguns dias que diziam que um lobisomem aparecia por ali. Contou-me que ele saía de dentro do cemitério e pulava o muro para o escuro beco, dali saindo correndo para a rua.

Um dia Dona Baíca, de sua casa, teria ouvido um chafurdo dentro do cemitério e sabendo dos boatos ficou de sobreaviso. Um de seus netos começou a chorar com a barulheira. Tendo ouvido de seus antepassados que o lobisomem tem preferência por crianças pagãs, pediu à mãe da criança que lhe desse de mamar afim de que cessasse o choro, enquanto caminhava rumo à porta de metal que fica à frente de sua casa. Parecia que o bicho estava encurralado no beco pelos cachorros da vizinhança, mas sabe-se lá o que ele fez que os cachorros saíram ganindo de medo às carreiras. A porta, que tem umas grades por meio das quais se pode ver a rua, era coberta à noite com uma cortina para que não pudessem enxergar dentro da casa. A mulher afasta uma parte da cortina de modo a poder ver o que se passa na rua, ao que enxerga saindo do beco a estranha fera, que, segundo ela, era um bicho peludo com pouco mais de um metro de altura, que não tinha pé nem cabeça: parecia mais uma bola de pêlos pretos e ouriçados. Se tinha pé ou cabeça só se fosse embaixo daqueles pêlos, pois o bicho era muito peludo.. Estava lá ela olhando para aquela estranha criatura parada bem no ponto de encontro entre o beco e a rua na qual ele começa, que é a mesma que passa em frente aos portões do cemitério. Mesmo parado, os pêlos se movimentavam muito como que o bicho estivesse procurando a direção a seguir, enquanto os cachorros latiam para ele. Nesse momento, a criatura emite um grito estridente e assustador, de fazer percorrer um arrepio pelo corpo de qualquer um que o escute, sendo que, após isso, o bicho parte em altíssima velocidade, aos saltos, sendo que a cada salto percorria cerca de dez metros antes de tocar o chão. Enquanto corria, o bicho fazia uma barulheira, como que se arrastasse coisas que se chocavam umas contra as outras.

De acordo com ela, o bicho corre muito e a razão disso é porque, como reza a lenda, o lobisomem deve percorrer sete cidades, sete encruzilhadas, sete igrejas e sete cemitérios antes do galo cantar a última vez. Em Altos, contudo, o que se diz é que a fera tem de percorrer apenas sete ruas, de uma ponta a outra, até porque não daria tempo de percorrer tudo isso em uma noite. Mas, se é assim, porque estaria ele dentro do cemitério afinal? Ora, se não teria a obrigação de percorrer sete cemitérios, o que estaria fazendo ali? Haveria lá dentro um espojeiro de jumento? O que é certo é que se ele não conseguir fazer o percurso no período estabelecido, ficará para sempre na forma maldita, de modo que terá que procurar se esconder em alguma serra.

Corroborando a versão de que o lobisomem percorre sete cidades, sete cemitérios, sete igrejas e sete encruzilhadas no caminho que percorre durante a noite, vem o depoimento de Marcos Luciano Paz​, que é conselheiro tutelar na cidade de Alto Longá​, onde cresceu. Segundo ele, alguns anos atrás, estaria na sala de casa, no bairro Timon, já um pouco tarde da noite assistindo à primeira edição do Big Brother (aquela que teve Kleber Bam-Bam como vencedor) quando escutou uma barulheira desgraçada no meio da rua e ouviu os latidos dos cachorros da vizinhança como que se estivessem perseguindo a fonte de todos aqueles ruídos, que pareciam um monte de objetos sendo arrastados e, ao mesmo tempo, se chocando uns contra os outros. De repente, o barulho parou. Como a janela estava aberta, viu uma figura estranha na rua, parada bem embaixo da luz do poste que ali em frente havia. Marcos garante que como o local em que a estranha criatura parou estava claro, pôde enxergá-la bem: era peludo, mas tinha membros e cabeça. Ali parada parecia estar do mesmo modo que um homem fazendo flexão a tocar os pés e as mãos no chão. A cabeça, contudo, ao invés de ser na extremidade do seu tronco encurvado, parecia estar nas costas, de modo a olhar reto para a frente. Tudo isso, contudo, não era fácil de se perceber, devido à enorme quantidade de pêlos. Se não estivesse claro, poderia facilmente ter confundido sua figura com uma bola de pêlos. Curvado daquele jeito, com pés e mãos no chão, o bicho saiu em disparada, produzindo a barulheira infernal que faz em suas corridas. No dia seguinte, sua mãe só acreditou na história porque um vizinho disse também ter visto a criatura. Poucos dias depois, se soube de um ataque de um bicho igualzinho em Coivaras. Um grupo de jovens voltava de uma festa em Altos, quando foi atacado na estrada pela criatura do outro mundo. Em defesa, um dos jovens teria cortado o monstro, que se enfiou mata adentro. No dia seguinte, um homem que todos diziam virar lobisomem em Coivaras, apresentou o corte no mesmo lugar. O homem que, segundo diziam, tinha caso com a própria mãe, foi embora dali no mesmo dia, levando consigo a mãe. Marcos Luciano Paz acredita que era ele o lobisomem que viu, até porque depois que ele se foi, ninguém mais viu a criatura que vinha espalhando o terror Em Alto Longá e Coivaras já há algum tempo.

Catarina Sena conta que havia um lobisomem no bairro Santo Antonio, cerca de uns 20 anos atrás, perto da casa em que morava. Os moradores do bairro diziam que era um homem que tinha caso com a enteada. Segundo ela, Raimundo, um dos meus cunhados, havia sido contratado, por um prazo curto, como vigia noturno do Colégio Antonio Gonçalves da Costa, ali no bairro mesmo.

Numa das noites ele estava sentado numa cadeira por volta das duas da manhã, quando percebeu um barulho de cães um pouco distante dali, mas que se aproximava. Como o colégio estava em reforma, tinha uma parte do muro que estava derrubada para correção de rachaduras…

O barulho se aproximava e os cães pareciam enlouquecidos, mas ao dobrar a esquina do colégio, os cães foram desistindo, quando o “bicho” veio bem rápido e entrou para dentro da escola pela parte derrubada do muro! Meu cunhado puxou o facão que levava na cintura, se preparou e o bicho apareceu e foi pra cima dele, mas ele, ao ver a “coisa” (como a chamou depois), quase amoleceu as pernas e perdeu a coragem, mas resolveu ir pra cima, até porque não tinha outro jeito. Deu-lhe uns “panos de facão”, enquanto o bicho pulava e fazia barulhos assustadores, que fez Raimundo sair em disparada para casa, deixando para trás seus pertences, como garrafa de café, lanterna e outras bugigangas.

Ao chegar em casa quase quebra a porta gritando pela mãe, que abriu a porta atarantada. Ele entrou, fechou a porta e se pôs a olhar pela pelas brechas da “porta de duas folhas” até amanhecer.

Quando o dia clareou e as pessoas levantaram, ele foi contar o acontecido e descrever o animal que tinha visto. Afirma ele que o barulho que a criatura fazia ao correr, era como gemidos, como se fosse uma mistura de gente com cachorro e ele não entendia como podia se ouvir barulhos de latas batendo, ou chocalhos… e o bicho não andava, só rastejava, como se rolasse pelo chão, mas conseguia fazer movimentos bruscos como pular… ele não conseguia ver se haviam patas naquele animal, só dava pra ver um monte de pêlo barulhento.

Tufos desse pelo foram encontrados no caminho perto do colégio no dia seguinte. Ele parecia o mais assombrado dos homens! No mesmo dia, o homem que diziam virar lobisomem amanheceu todo arranhado e com dois riscos de faca no lombo e a família não conseguia explicar a origem. Segundo Catarina, mesmo em forma humana, ele era estranho: tinha braços, pernas, costas e orelhas peludas (os pêlos pareciam sair de dentro do ouvido). O meu cunhado ainda o teria confrontado, mas ele negou que fosse ele a criatura.

Apesar da negativa, todos no bairro acreditavam que era ele o tal bicho. Arcanjo, um mototaxista que cresceu ali perto, confirma que haviam tais boatos à época e que ele, ainda menino, teria, então, muito medo do homem. Chegou a contar que Antônio, outro morador do bairro na época, teria também enfrentado a criatura. O homem teria passado largo tempo enfrentando a criatura, dando-lhe golpes de faca com a faca que segurava com a mão esquerda. Explicou-me Arcanjo, que para se defender de um lobisomem é preciso atacar com a mão esquerda, única forma de atingir o que seria o ponto fraco da fera. Quando finalmente se livrou, correu pra casa e quando o dia raiou contou a todos o ocorrido, o que novamente levantou as suspeitas contra o homem que diziam virar fera, eis que este, outra vez, aparecera ferido misteriosamente. Segundo Arcanjo, os homens do bairro viviam falando em se unir para capturar a criatura, mas na hora “h” todos alegavam ter outros compromissos para não aparentarem o que de fato sentiam: medo. Como que querendo se livrar antes que algo assim acontecesse, o homem foi embora do bairro, levando consigo toda a família.

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Ilustração: Douglas Viana

Arcanjo disse ainda que o bicho salta tanto é porque está a tentar a pular por sobre a pessoa. Segundo o mototaxista, a única forma do lobisomem se livrar da maldição que não a morte, seria saltando por cima de alguém, de modo que isso ocorrer a fera deixa de ser fera e a maldição se transfere à pessoa por cima de quem ele pulou. Disse ainda que tem um jeito de botar o lobisomem pra correr sem precisar recorrer à força. É só chamar ele pelo nome que o chamam quando está em forma humana. Se alguém adivinhar o seu nome, o bicho corre em disparada.

Daniel Sousa, um colega, parece sustentar referida tese. No mesmo dia em que sua (mãe ou avó) ainda menina viu o homem virar fera, conforme contamos ao início do texto, o bicho descobriu, pelo faro, que alguém tinha presenciado a metamorfose. A criatura, na madrugada, ficou dando voltas na casa que era de taipa correndo e fazendo o barulho que caracteriza sua corrida, o que foi ouvido por todos na casa. O monstro começou a cavar a parede da casa e quando já tinha feito um pequeno buraco alguém enfiou ali uma faca ferindo a fera que grunhiu mas não desistiu da caçada. Como todos ali já sabiam que havia um homem na região que diziam virar lobisomem o chamaram pelo nome e o bicho saiu correndo dali. O tal homem, que acreditam que seria a fera, no dia seguinte apresentava ferimento no mesmo local em que a infernal criatura havia sido atingida. Pouco tempo depois, talvez por se saber descoberto, o homem mudou-se dali e nunca mais foram vistos nem ele, nem o lobisomem que diziam que era ele.

Ana Paula Patuta me contou que ali na Rua Jaime Rosa, em Altos, havia antigamente quando ela era adolescente um homem que diziam virar lobisomem. Segundo ela, diziam que ele mantinha relações incestuosas com a mãe e nas noites de quinta pra sexta em que havia no céu uma lua cheia, o bicho saía pelas ruas, nas proximidades do hospital, assombrando o povo. Ela me contou também que tinha muito medo dele e que o homem nunca saía de casa durante o dia. Nem ele e nem sua mãe. Às vezes, a molecada da vizinhança via ele espreitando pela cortina que recobria a janela e corria apavorada.

Adrião Neto acrescenta que o lobisomem “é um bicho muito perigoso. Capaz de estraçalhar uma pessoa.” Indica ainda uma outra forma de derrotar o lobisomem piauiense: “se no momento em que ele andar cumprindo a sua sina, alguém desavessar a sua roupa, nunca mais volta a ser gente. Vira alma penada e fica vagando no Além”. Conta ainda o escritor que onde a fera passa “a cachorreira vai latindo atrás, mas como ele é muito ligeiro, os cachorros não chegam nem perto”.

Em todo o Piauí há relatos de avistamentos de lobisomens. Em Altos, o mais famoso deles, talvez, seja o que acompanhava, tempos atrás, a Nurica, a mulher que virava porca, quando os dois assombravam as noites dos bairros Batalhão, Bacurizeiro e região. Ainda em Altos, nos anos 90, diziam aparecer um lobisomem no Bairro Ciana. Animais desapareciam e eram encontrados esquartejados. Algumas pessoas juravam que já tinham visto a fera e até entrado em combate com a mesma, mas, nesse caso, mais tarde descobriu-se que não era um lobisomem, mas marmotagem de um conhecido macumbeiro da região, homossexual, que nas noites de lua cheia vestia um couro de bode para afugentar curiosos das ruas, onde iria encontrar seu amor secreto. Neste mesmo município, contam que mais de quatro décadas atrás, moradores do Bairro Tranqueira teriam se reunido e, juntos, conseguiram matar um lobisomem que há dias vinha assombrando os moradores daquela região.

Em Demerval Lobão, segundo matéria da TV Meio Norte de março de 2013, um lobisomem estaria atacando e devorando animais do povoado Chapadinha Sul, de modo que já teria sido visto por várias pessoas e inclusive teria sido ferido com um tiro disparado por um morador, que informou que seu sangue fede bastante.

O portal 180 graus informa sobre um lobisomem que estaria aparecendo em Brasileira, onde ruídos, passos fortes e rápidos acompanhados por latidos de cachorros eram comuns quase todas as noites à época da notícia que é de outubro de 2010. Alguns moradores teriam visto o bicho. Ainda segundo o 180 graus, “Uns barulhos fortes, seguidos de uma poeira enorme assustaram algumas pessoas. Quando investigado o local, apenas rastros estranhos, como se um bicho, que não se sabe ao certo o que era, havia feito. Logo após, lá pelas 1:30h da madrugada outro fato estranho. Um ser de preto correndo e sumindo rapidamente pelo centro de Brasileira, apareceu para um grupo de jovens, que não sabem explicar como algo ou alguém pode ser tão rápido para desaparecer sem deixar uma pista do que era”.

Em José de Freitas, na localidade Assaré, dizem que apareceu um lobisomem em 2008 que passava as noites matando gatos e cachorros. Conforme notícia do 180 graus, “uns apareceram até sem cabeça e rasgados pelas unhas de outro animal”. O mesmo teria ocorrido em Teresina, também em 2008, onde o principal suspeito era um homem que andava nas madrugadas, que, diziam, virava lobisomem por ter mantido relacionamento incestuoso com a própria mãe durante anos.

Em Piripiri, dizem que aparecia um na Apertada hora (onde também diziam aparecer um galo diabólico), de modo que poucos passavam à noite pelo lugar. Em outubro de 2011, moradores do Centro de Luiz Correia afirmaram ter visto um bicho muito estranho: uns tinham certeza que era um lobisomem. Outros diziam que era um um bicho com aparência de macaco e agilidade de pássaro.

Segundo Câmara Cascudo, no livro do Antologia do Folclore Brasileiro, pessoas anêmicas tendem a virar lobisomens, quando, na sexta-feira, são impelidas a ir a um cemitério desenterrar e comer defuntos. Em seguida diz que “Este tem a aparência dum grande cão, tendo as pernas traseiras muito mais compridas que as dianteiras (como quem apoia a cabeça nos cotovelos) dobradas para cima, na direção das orelhas. Há lobisomens pretos, brancos, amarelos, conforme a cor do homem”. Fontes Ibiapina conta em seu livro Passarela de Marmotas que “À meia noite em ponto de uma sexta-feira, de sete em sete semanas, quando todo mundo da casa dorme, inclusive ele, sai. Levanta-se sonâmbulo e vai ter a um esponjeiro de jumento – diz que de preferência de jumento inteiro, recolhido. Aí faz o serviço necessário àquela transformação macabra. Aproxima-se do local, tira a roupa e deixa-a assim (especialmente a um tronco de árvore) virada pelo avesso. A seguir, deita-se no espojeiro e se espoja (rola) três vezes para lá e três vezes para cá. Então vira bicho”.

Uma outra forma de a pessoa ser amaldiçoada a virar lobisomem, segundo Rafael Noleto em seu livro Mitologia Piaga, é, se enquanto o lobisomem vagueia alguém encontrar sua roupa e levar para casa, de modo que essa pessoa, assim, também passará a virar lobisomem.

Sinceramente, não sou de acreditar facilmente nessas coisas, mas o estranho é que, mesmo em pontos tão distantes, as histórias guardam sinistras semelhanças entre si, que superam a mera coincidência. Isso leva a pensar: será que a lendária criatura existe mesmo? Nada tema caro leitor… Se, por acaso, dia desses você der de cara com um lobisomem, se tiver lido esse texto saberá como agir em tal ocasião, de modo que não lhe será difícil livrar-se do bicho de um jeito ou de outro. O problema é se a pessoa não tiver esse conhecimento por não ter tido ouvido tais orientações dos mais velhos ou por não ter lido o presente texto… Pobre criatura a que não conhece as lendas de sua região… Quem pensa inutilmente saber se defender de um lobisomem usando como parâmetro os filmes de Hollywood (que mostram a versão européia da criatura)… Se um dia der de cara com um lobisomem piauiense, com certeza será dominado pela fera, que, certamente, conseguirá passar para ele a maldição!

REFERÊNCIAS:

– Relato de Catarina, residente no Bairro Santo Antonio, em Altos;

– Relato de Dona Baíca, residente ao lado do Cemitério de Altos;

– Relato de Arcanjo, mototaxista em Altos, residente no Bairro Santo Antônio, em Altos;

– Relato de Daniel Sousa, residente na cidade de Altos;

– Relato de Marcos Luciano Paz, conselheiro tutelar na cidade de Alto Longá;

http://brasilescola.uol.com.br/folclore/lobisomem.htm

http://www.suapesquisa.com/folclorebrasileiro/lenda_lobisomem.htm

https://www.todamateria.com.br/lenda-do-lobisomem/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lobisomem

http://lendasdobrasil.blogspot.com.br/2010/11/lenda-do-lobisomem.html

https://www.issoebizarro.com/blog/mitos-e-lendas/mitos-lendas-lobisomem/

http://sitededicas.ne10.uol.com.br/folk_lobisomem.htm

http://mitobook.blogspot.com.br/2011/09/lobisomen-ou-licantropo-criatura.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Damarco

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lica%C3%A3o

http://180graus.com/brasileira/lobisomem-mito-ou-verdade-369993.html

http://180graus.com/brasileira/blogueiro-relata-fatos-sobre-possivel-lobisomem-amendrontando-a-populacao-brasileirense-369988.html

http://180graus.com/brasileira/blogueiro-relata-fatos-sobre-possivel-lobisomem-amendrontando-a-populacao-brasileirense-ii-369991.html

http://180graus.com/demerval-lobao/populacao-esta-apavorada-com-ataques-de-suposto-lobisomem-no-povoado-chapadinha-sul

http://180graus.com/jose-de-freitas/homem-vira-lobisomem-e-mata-cachorros-e-gatos-na-zona-rural-45238.html

http://180graus.com/gazetilha/homem-vira-lobisomem-e-mata-cachorros-e-gatos-em-teresina-42639.html

http://180graus.com/blog-literario/o-lobisomem-da-apertada-hora-310377.html

http://180graus.com/luis-correia/ser-estranho-vem-apavorando-moradores-no-bairro-centro-fala-se-em-lobisomem-467739.html

http://www.acesso343.com.br/2011/10/bicho-misterioso-aparece-em-luis.html

https://blogdahorablog.wordpress.com/2011/10/24/lobisomem-aparece-em-ruas-de-luis-correia-e-apavora-moradores/

https://www.youtube.com/watch?v=EHT3N12qRtQ

– CASCUDO, Câmara. Antologia do Folclore Brasileiro. 3. ed. São Paulo: Global, 2001.

– IBIAPINA, Fontes. Passarela de Marmotas. Teresina: COMEPI, 1975.

– NOLÊTO, Rafael. Mitologia Piaga: Deuses, Encantados, Espíritos e outros Seres Lendários do Piauí. Teresina: Clube de Autores, 2019.

– PESSOA, Railson Miguel. O LOBISOMEM. Disponível em: https://www.facebook.com/groups/185851718227175/?fref=ts

– PAIVA, Pedro. A ESTÓRIA DOS LOBISOMENS DO BAIRRO BATALHÃO. Disponível em: https://www.facebook.com/groups/185851718227175/?fref=ts

RODRIGUES, Toni. CAÇADA AO LOBISOMEM. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=rlO_7yoMpbY .

DIAS, Carlos. Lendas altoenses: A mulher que virava porca. In: Portal Altos. Disponível em: http://portalaltos.com.br/novo/?pg=noticia&id=4902

– __________. NURICA, A MULHER QUE VIRAVA PORCA. In: Altos Home Page/Fenômenos. Disponível em: http://altoshomepage.xpg.uol.com.br/fenomenos.pdf

PAIVA, Pedro. A ESTÓRIA DOS LOBISOMENS DO BAIRRO BATALHÃO. In: Contos de Terror Altoenses. Disponível em: https://www.facebook.com/groups/185851718227175/

– REIS, ADEMIR. A moça que virava porca (literatura de cordel). 2006.

NETO, ADRIÃO. Raízes do Piauí. Teresina, Piauí: 2010.

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

 

4 comentários em “LOBISOMENS DO PIAUÍ

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  1. Oi boa tarde…me chamo Helton…
    Boom pra começar a entender isso estamos no apocalipse acho q nem eu acreditaria muito nisso mas como todos comentam sobre lobisomem.
    Uma pessoa também disse que também anos atrás disse ter visto uma coisa fazendo barulho aos roedores de suas Casa e cachorros latindo contra isso é inexplicável situação que estamos vivendo…

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