A CURVA DA RAPOSA

(BR – 343. Município de Altos, próximo ao limite de município com Campo Maior)

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O local conhecido por Curva da Raposa, Km 340 da BR 343, segundo um levantamento da Polícia Rodoviária Federal publicado em 2015, é um dos 10 trechos de rodovias federais mais perigosos do Brasil. O local, situado na divisa entre Campo Maior e Altos, registrou 73 acidentes graves, 80 feridos graves, e 6 mortos, só entre agosto de 2013 e julho de 2014. Uma outra reportagem, de 2010, registra que no mínimo 100 acidentes teriam acontecido no local nos cinco anos anteriores à notícia.

thumbsUma das razões óbvias é que a curva da raposa é muito fechada, o que ocasionaria muitos acidentes. Há ainda informações de que alguns acidentes, envolvendo caminhões, teriam ocorrido porque moradores próximos do local ou bandidos de fora, colocavam obstáculos na estrada, bem no local da curva fechada, quando o olheiro, que ficaria em um ponto anterior da estrada, avistava um caminhão com carga valiosa. O objetivo seria tombar o caminhão e roubar a carga. E realmente aconteceram muitos saques de cargas de caminhão tombados no local.

Ocorre que também há uma explicação sobrenatural para tantos acidentes no local: segundo contam, anos atrás uma moça, quando voltava de uma festa, teria se suicidado no local, jogando-se na frente de um caminhão. Desde então, volta e meia as pessoas dizem ter visto essa moça, jogando-se em frente aos carros, o que já teria causado alguns acidentes.

19848992_311465589277817_843171821_nOuvi dizer também que o próprio capiroto apareceria repentinamente em meio à pista e desaparecia bem na frente dos motoristas, o que também já teria causado acidentes. A pessoa que o viu teria relatado a aparição assim: “Eu voltava de um restaurante, no sentido Campo Maior-Altos (onde moro). De repente aparece do nada, em meio a estrada, um negão excepcionalmente alto e magro. Usava uma camisa de linho e havia um cheiro ruim muito forte, e, de repente, assim como apareceu, sumiu pro nada misteriosamente”.

Próximo à curva há uma ponte, sob a qual corre o Rio Raposo. Alguns pescadores atrevem-se a descer da rodovia para seguir o leito do rio. Dizem ser um bom local para pescaria. Diante das histórias que vou contar agora, eu me atrevo a discordar. Um desses que pescam ali me relatou que em certa madrugada, enquanto pescava no local, surgiu flutuando na água um caixão de defunto lacrado, que, apesar da correnteza do rio estar forte no dia, flutuava sem sair do lugar. Assustado, principalmente após ouvir alguns assovios, teria saído do local e descido o rio. Após se acomodar nesse outro local, instantes depois reaparecia o caixão flutuando na água, seguindo, logo depois, sons de pisadeiras e choros, ao que o pescador teria saído do local assustado, com a impressão de que estava sendo seguido.

Já me falaram também relatos de uma mulher loira, que teria morrido em acidente na curva da raposa, que aparecia aos pescadores assustando-os e que só deixou de aparecer depois que foi realizada uma missa pra ela.

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Um outro pescador, que conheço desde a infância, me relatou que teria ido com amigos pescar no local e vivenciado uma experiência aterrorizante no local. Passo a transcrever o seu relato:

“Rapaz, eu estava pescando à noite com uns amigos e, por volta das 1:00 da manhã começamos a ouvir as tarrafas a fazer barulho na água e a ouvir sons de pessoas conversando. Era como se muitas pessoas conversassem e nós ficamos só ouvindo. A água estava inquieta, com o movimento dos supostos pescadores, e, de repente, parou tudo, ficando um silêncio total.

Aí fomos olhar os enganchos, com medo que o barulho que tínhamos ouvido fossem pescadores despescando os mesmos e, chegando lá, as bóias (que deveriam estar na superfície d’água) estavam submersas e batendo muito, em todos os enganchos, o que nos fez achar que eles estavam tão cheios de peixe que as bóias, devido ao peso e à força dos peixes, haviam submergido.

Começamos a olhar animados. Olhamos o primeiro engancho e no começo não tinha nada, mas o engancho continuava batendo como se estivesse cheio de peixes. Olhamos os 40 (quarenta) metros da rede e não tinha sequer uma piaba e, mesmo assim, ele se mexia e ficava com as bóias submersas. Fomos olhar os outros e nenhum deles tinha peixe, embora parecesse que tinham. Olhamos até o último e não encontramos nada.

Começamos a ouvir conversas e tarrafiadas novamente, bem como risadas, só que o som estava um pouco distante, de modo que partimos rumo ao som. Parecia estar perto, mas quando parecia que tínhamos chegado a eles, as vozes se afastavam cada vez mais.

Andamos uns mil metros, até chegarmos próximo da ponte, onde as conversas acabaram. De repente, ouvimos um grande barulho dentro d’água, como se algo enorme houvesse caído na água. Em seguida começamos a ouvir gritos pedindo ajuda e socorro.

As vozes pareciam estar em meio a nós. Saímos correndo. Deixamos os enganchos e fomos embora. Estávamos no Tamanduá, na ponte de madeira, quando chegamos à pista, o carro começou a falhar. Quando chegamos em cima da ponte, o carro não pegou mais. Aí as vozes começaram novamente e nós começamos a empurrar o carro.

Quando passamos da curva, fomos surpreendidos por uma carreta que passou raspando em nós a toda a velocidade. Sorte que estávamos no acostamento e todos na lateral do carro que estava para o acostamento, pois se estivéssemos do lado da pista, a carreta teria nos atingido fatalmente. Depois que a carreta passou, as vozes sumiram e o carro pegou. Depois desse dia, nunca mais fui pescar lá à noite”.

Sinceramente li esse relato que me enviou pelo messenger (bate-papo do facebook) embasbacado. Eu já sabia que o povo falava em assombração praquelas bandas, mas nunca imaginei algo assim. Me imaginei no lugar deles e senti um arrepio percorrer a coluna. Deve ter sido horrível! Acho que nunca mais vou passar naquele trecho sem que eu me lembre dessa história.

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FONTE:

TEXTO: José Gil Barbosa Terceiro

ILUSTRAÇÕES: Douglas Viana

Fotos extraídas da internet.

 

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