AS LENDAS DA CACHOEIRA DO URUBU

(Esperantina – Piauí)

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A cachoeira do urubu é uma queda d’água dotada de enorme beleza natural, sendo reconhecida como uma das sete maravilhas do Piauí. Fica localizada no norte do Piauí, entre as cidades de Esperantina e Batalha, a 180 Km de Teresina. O local recebe esse nome em razão da enorme variação no nível da água que quando baixa, cria pequenas poças onde os peixes ficam presos, o que atrai muitos urubus, pois nessa situação os peixes viram presas fáceis.

A cachoeira, formada pelas águas do Rio Longá, bem como a região próxima, conserva muito da beleza que lhe foi concedida pela própria natureza, eis que se encontra no interior de um Parque Ecológico, que protege o local contra a ação humana, onde apenas uma pequena área é reservada ao turismo e à visitação de seres humanos. Quem se atreve a banhar nas áreas proibidas, é, no mais das vezes, tragado pela fúria tenebrosa das águas da cachoeira. Com isso, o lugar, pouco afetado pela humanidade, conserva toda a magia e o misticismo oriundo das forças da natureza, de modo que são muitas as lendas que surgiram naquele lugar.

O ANEL DE SÃO GONÇALO

Dizem que quando São Gonçalo era vivo, tinha ele um anel muito bonito e dotado de poderes mágicos, razão pela qual a jóia era bastante cobiçada. Quando o santo faleceu, seu corpo foi levado a Roma, mas ninguém nunca encontrou o tal anel.

Ao que contam, pouco tempo antes de morrer, São Gonçalo, já prevendo a morte, cuidou em esconder o anel para que não fosse parar em mãos erradas, tendo orado aos céus para que a jóia nunca fosse encontrada.

O que se diz é que o anel foi escondido embaixo de uma das pedras da cachoeira, na margem que fica do lado de Batalha, no lugar conhecido como “Pedra Dela”. A tal pedra que esconde o anel seria quadrada e grande, com um furo (onde o santo jogou a jóia), que é tampado por outra pedra.

A pedra nunca foi encontrada porque sempre que alguém se aproxima do lugar, o nível da água sobe, mergulhando a pedra sob forte torrente, afim de dificultar o achamento, sendo essa a razão da constante variação no nível das águas. Contudo, no dia que alguém retirar a pedra que fica sobre a pedra furada que guarda o anel em seu interior, verá o anel através do furo, e, com ele, poderá conseguir tudo o que quiser, dado os poderes mágicos que a jóia possui.

Contudo, terá que escolher entre ser detentor de tal poder da jóia ou preservar a cachoeira, eis que, segundo a lenda, no dia que o anel for retirado dali, a natureza se revoltará, de modo que a cachoeira secará, deixando a região sem um pingo de água e destruindo a beleza natural do lugar, que não conseguirá sustentar nenhuma forma de vida num raio de cinquenta quilômetros.

A CIDADE ENCANTADA

A mágica do lugar não fica por aí. Contam que existe ali uma outra pedra escondida na qual estão registradas inscrições que até hoje ninguém conseguiu decifrar.

A escrita, dizem, seria produto de um povo mágico oriundo não se sabe bem de onde, e, no dia que alguém conseguir compreender o que ali está escrito, ao efetuar a leitura, por detrás das águas da cachoeira se abrirá um portal mágico que permitirá à pessoa adentrar uma cidade encantada, cheia de riquezas e habitada por pessoas generosas e detentoras de enorme sabedoria.

Ao que se diz, quem mantiver contato com esse povo, voltará não apenas muito rico, mas, também, dotado de enorme conhecimento, de modo que, para ele, não haverá mais nenhum mistério no universo alheio à sua compreensão.

Contudo, antes de entrar na passagem mágica que leva a referida cidade, a pessoa deverá destruir um urubu-rei gigante comedor de carne, guardião do portal, mostrando-se merecedor dos benefícios do povo da cidade encantada, que, enfim, se verá livre da fera.

O LAÇO MÁGICO

Dizem que desde a criação do mundo os território de Batalha e Esperantina estão unidos por um laço mágico, sendo que este laço está sob as águas da cachoeira do urubu e, se por acaso, um dia, esse laço se desfizer o nível da água subirá assustadoramente, submergindo as duas cidades.

Nesta ocasião, a baleia gigante que dorme em um rio subterrâneo que corre sob as igrejas das duas cidades, despertará do sono de séculos e virá à tona para destruir tudo o que encontrar em seu caminho que tenha sobrevivido à fúria das águas.

CONCLUSÃO

Não é a toa que a visitação por turistas é proibida em algumas áreas do parque. Os moradores da região temem que um aventureiro atraia as desgraças à natureza que as lendas preveem, ou mesmo que algum desavisado desperte a baleia gigante ou atraia para essa dimensão o urubu gigante comedor de carne. Com o desconhecido não se deve  brincar. Existem coisas que estão além da razão humana.

TEXTO: JOSÉ GIL BARBOSA TERCEIRO

REFERÊNCIAS:

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